Atitudes que parecem educadas, mas não são
Muitas vezes a intenção é boa, mas é preciso entender qual o limite entre ser gentil e ser inconveniente
Vivemos em uma cultura que valoriza a “boa educação”. Desde cedo aprendemos que ser gentil, prestativo e atencioso é sinal de respeito. O problema é que, muitas vezes, em nome dessa suposta gentileza, ultrapassamos limites importantes, e acabamos sendo invasivos, inconvenientes ou até desrespeitosos, sem perceber ou querer.
Alguns comportamentos são socialmente aceitos, repetidos quase no automático, e parecem educados à primeira vista. Mas, quando olhamos com mais atenção, revelam exatamente o contrário. Vou citar alguns deles:
Insistir quando a pessoa já disse não
Isso acontece o tempo todo: oferecer comida, bebida, ajuda, convite, opinião e, diante de um “não, obrigada”, insistir. A intenção pode até ser boa, mas o recado implícito é claro: “o que você quer ou sente não é tão importante quanto o que eu acho melhor”. Respeitar um “não” é um dos maiores sinais de educação que existem. Insistir não é cuidado, é desconsideração.
Fazer muitas perguntas para não deixar o papo morrer
Conversar é uma troca. Quando apenas uma pessoa se esforça excessivamente para manter o diálogo vivo, preenchendo silêncios com perguntas em sequência, o encontro deixa de ser leve e passa a parecer um interrogatório. Silêncios também comunicam. Nem todo momento precisa ser preenchido. Às vezes, ser educado é saber parar, observar e respeitar o ritmo do outro.
Opinar sem ser chamado
Dar opinião “para ajudar” é um dos hábitos mais comuns e mais invasivos das relações sociais. Nem todo comentário precisa ser feito, nem toda percepção precisa ser compartilhada. Quando ninguém pediu sua opinião, oferecê-la pode soar como julgamento, crítica ou superioridade disfarçada de conselho. Educação também é saber quando ficar em silêncio.
Brincadeiras que constrangem
Piadas sobre aparência, escolhas pessoais, vida amorosa ou profissional costumam vir acompanhadas de um “é brincadeira!”. Mas se constrange, expõe ou deixa o outro desconfortável, não é humor, e sim falta de sensibilidade.
Invadir o espaço pessoal
Abraços forçados, toques excessivos, proximidade física sem consentimento ainda são tratados como demonstrações de carinho. No entanto, respeitar o espaço do outro é essencial.
No fim das contas, ser verdadeiramente educado não tem a ver com falar muito, agradar a qualquer custo ou parecer simpático o tempo todo. Tem a ver com escuta, respeito, leitura de contexto e consideração pelo outro. Talvez a pergunta que devêssemos nos fazer com mais frequência não seja “isso é educado?”, mas sim: isso respeita o outro?
(*) Larissa Almeida é formada em Comunicação Social pela UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) e pós-graduada em Influência Digital pela PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul). Durante 14 anos, trabalhou na área de comunicação e imagem em instituições como a Caixa Econômica Federal, a Prefeitura de Campo Grande, o Governo do Estado de Mato Grosso do Sul e o Senado Federal, além de ter coordenado a comunicação da Sanesul (Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul). É consultora de imagem formada pela RML Academy (Royal Makeup Lab Academy) e pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, além de especialista em dress code e comportamento profissional por Cláudia Matarazzo e pela RMJ TRE (RMJ Treinamento e Desenvolvimento Empresarial). Siga no Instagram @vistavoce_.

