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Interior

Advogado investigado por fraude em concurso é apontado como “gravata” do PCC

Segundo investigação, ele era “pombo-correio”, transportando mensagens entre faccionados presos e em liberdade

Por Dayene Paz | 15/01/2026 12:45
Advogado investigado por fraude em concurso é apontado como “gravata” do PCC
Advogado e empresário Christopher Pinho Ferro Scapinelli, em foto de setembro de 2023. (Foto: Redes sociais)

Durante as buscas da Operação Sommelier, o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) descobriu que o advogado Christopher Pinho Ferro Scapinelli, de 43 anos, atuava como “gravata” - denominação dada a profissionais do Direito cooptados pela facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).

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O advogado Christopher Pinho Ferro Scapinelli, de 43 anos, foi identificado como "gravata" do PCC durante investigação do Gaeco em Mato Grosso do Sul. Ele atuava como intermediário, transportando mensagens entre líderes presos e membros em liberdade, além de participar da logística do tráfico de drogas. Scapinelli foi preso em flagrante em outubro de 2024, transportando 22 quilos de cocaína em São Paulo, sendo condenado a mais de 6 anos de prisão. A investigação, que começou apurando fraudes em licitações, revelou sua participação na "Sintonia dos Gravatas", núcleo responsável pela assistência jurídica ilegal à facção criminosa.

Segundo o MPMS, ele exercia a função de “pombo-correio” da facção, transportando mensagens ilícitas, conhecidas como salves, entre líderes do PCC presos em regime fechado e integrantes em liberdade.

A nova acusação é um desdobramento da operação deflagrada em 11 de junho de 2024, que apurava fraudes em licitações e delitos correlatos no município de Itaporã. Durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão na residência do advogado, os investigadores encontraram indícios de sua participação em outra rede criminosa, unindo a prestação de serviços jurídicos ilícitos ao tráfico de drogas e à lavagem de capitais.

Ao todo, cinco pessoas foram denunciadas à Justiça. Scapinelli integrava o núcleo denominado “Sintonia dos Gravatas”, responsável por organizar a assistência jurídica a integrantes da facção e gerenciar ordens que partiam de pelo menos três líderes do PCC, dentro e fora do sistema prisional. Entre esses chefes no Estado, há um que já esteve implicado em plano de atentado contra autoridades.

As investigações também apontam que o advogado mantinha comunicação com outros profissionais do Direito já identificados como integrantes do corpo jurídico da facção, aliciados para prestar serviços que extrapolavam completamente os limites legais. Para dificultar a identificação e a responsabilização penal, ele utilizava diversas contas no WhatsApp registradas com nomes falsos, conforme apurado pelo Gaeco.

Além da atuação nos presídios, a denúncia sustenta que o advogado participava diretamente da logística do tráfico de drogas, transportando semanalmente carregamentos de cocaína de Ponta Porã para os estados do Paraná e Minas Gerais. A droga era escondida em tanques de combustível ou estepes de veículos, segundo o Ministério Público.

O trabalho de campo, com apoio da Polícia Militar de São Paulo, resultou na prisão em flagrante do advogado no dia 13 de outubro de 2024, no interior paulista. Ele conduzia um veículo que transportava 22 quilos de pasta-base de cocaína, ocultos dentro do tanque de combustível. Por esse flagrante, Scapinelli foi condenado pelo Juízo da 1ª Vara da Comarca de Mirassol (SP) a 6 anos, 6 meses e 3 dias de reclusão, em regime inicial fechado, além do pagamento de 651 dias-multa. Atualmente, cumpre pena em Araraquara (SP) e teve prisão preventiva decretada na nova investigação.

A denúncia que tramita na 3ª Vara Criminal de Campo Grande também aponta a participação de uma mulher, responsável pela administração financeira e venda de entorpecentes, que teve a prisão decretada, mas está foragida. Outros três integrantes do PCC constam na acusação: um está preso no complexo da Gameleira, em Campo Grande, e os outros dois seguem foragidos.

O MPMS pediu a condenação dos envolvidos pelos crimes de organização criminosa, tráfico de drogas com agravante interestadual, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro.

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