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Campo Grande, Quarta-feira, 14 de Novembro de 2018

08/04/2014 15:30

Golpe ou revolução

Por Ruben Figueiró (*)

Nem esta, nem aquela – na minha avaliação. 1964, após meio século, ainda continua sendo espetáculo que anima discórdias. Sou um dos que, como milhões de brasileiros, estavam na plateia assistindo com natural aflição o embate entre os atores, mas embasados nas ideias das reformas de base que levariam a um abalo nas estruturas econômicas e sociais então vigentes; outras, com teses díspares, a máxima delas na defesa da preservação da Carta Magna de 1946.

O embate se acalorava com provocações de lado a lado, até que o presidente João Goulart (que não era comunista, nem esquerdista e sim um rico estancieiro nos Pampas e no Centro-Oeste) engolfou-se na lábia de seus assessores próximos e permitiu nítidas manifestações de estímulo à desordem, como o Comício da Central do Brasil e a reunião com os sargentos, ambos na Cidade Maravilhosa. O outro lado agitava-se por meio do Movimento em Defesa da Família, com Deus e pela Liberdade, posicionando-se em defender princípios inarredáveis da cultura nacional, em atos públicos de milhares de pessoas.

A plateia manifestou-se como num vulcão com lavras incandescentes espraiando-se para a direita e a esquerda em caudais que precisavam ser contidos. Até aí não havia presença de ações militares, estes aguardavam – como ouvi na ocasião de um militar de alta patente – que esperavam a “fruta madurar” para definirem-se. Aconteceu o 31 de março. Foi uma decisão civil, apoiada após pela facção majoritária ou de conveniência no seio das Forças Armadas.

Não foi um Golpe. Com arranhões, sim. A Constituição de 1946 foi preservada em seus pilares fundamentais. Não foi uma Revolução, porque as estruturas das instituições constitucionais foram mantidas.

Golpe, sim, começou a acontecer com o Ato Institucional número II. Primeiro porque extinguiu os partidos políticos tradicionais; segundo porque cancelou as eleições diretas para a Presidência da República. Aí veio o caos, os dias de chumbo que perduraram até surgir um clarão no horizonte em 1980.

(*) Ruben Figueiró é senador pelo PSDB-MS.

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