A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Quinta-feira, 19 de Outubro de 2017

01/09/2015 08:37

Guerrilha e invasões

Por Odilon de Oliveira

Não é de se duvidar que a guerrilha paraguaia esteja se imiscuindo em questões agrárias e indígenas em Mato Grosso do Sul. Refiro-me aos conflitos entre índios e fazendeiros no Município de Antônio João. Existem proprietários sugerindo que o Exército do Povo Paraguaio (EPP) possa estar fomentando essas invasões e até treinando indígenas da região.

A América do Sul tem exemplos claros a respeito. Um deles está no grupo guerrilheiro colombiano, alimentado pelo tráfico de drogas, sequestros e extorsões, denominado FARC. Foi concebido no seio de uma sociedade esfacelada, o que não é o caso do Brasil. Era a época da chamada La Violencia, vivida nas décadas de 1940 e 1950 e causada por pesadas rivalidades políticas e desmandos administrativos.

Mas o estopim mesmo foi a grave convulsão social reinante no meio rural da Colômbia. A política agrária era caótica, com invasões, terras desvalorizadas, falta de estradas. Esse caos gerou a escassez de alimentos. Em seguida, vieram o desemprego, a insegurança, a pobreza, a prostituição, o uso de drogas etc. A economia informal cresceu na proporção em que caíram as receitas públicas.

Surgiram os conflitos armados. Vários movimentos agrários se formaram e o descrédito das instituições foi aumentando. A solução, segundo os insurgentes, estaria na mudança do regime político. Por volta de 1960, esses movimentos de resistência armada se unificaram. Manuel Marulanda passou a comandar essa força unificada, que, em 27 de maio de 1964, recebeu o nome de FARC.

O EPP tem a moldura ideológica, estrutural e operacional das FARC, com a diferença de que, quando a guerrilha colombiana foi concebida, o muro de Berlim e o comunismo na Rússia ainda não haviam despencado. No mais, o EPP tem à sua disposição os mesmos ingredientes: 1) convulsão no campo, no Paraguai; 2) descontrole no combate às drogas, na América do Sul; 3) violência urbana e rural; 4) facilidade para cooptar integrantes e simpatizantes em movimentos de sem terras; 5) coadjuvação do PCC e do Comando Vermelho; 6) armas à vontade; 7) farta fonte de renda no narcotráfico e em sequestros; 8) apoio das FARC.

O EPP é um grupo terrorista nacionalista, inspirado nas FARC, cujos integrantes treinaram, no Paraguai, elementos do próprio EPP e também do Partido Pátria Livre (PPL). Há provas documentais disto, dentre elas um vídeo que guardo há alguns anos.

O terrorismo nacionalista se divide em separatista e político. A primeira espécie, mediante o uso da força e do terror, caminha em busca de uma pátria, de independência. São exemplos claros o Hamas, da Palestina, que deseja um Estado soberano e o ETA, que luta pela criação de um país basco mediante o desmembramento de um pedaço da França e de outro da Espanha. É por isto que se chama separatista.

O nacionalista político não deseja separação territorial, mas apenas subverter a ordem política, transformando o sistema ou a forma de governo ou de estado ou o regime político. O EPP alimenta esse desejo. Faz parte de sua essência a errônea compreensão de que a propriedade privada é a causa primeira das desigualdades sociais. A extinção desse tipo de propriedade daria, então, lugar a uma sociedade igualitária, sem classes, o que é uma utopia. O poder nasceria do proletariado, emergindo da luta armada.

O Exército do Povo Paraguaio (EPP) esboça sua ideologia na doutrina de Karl Marx, exercitada também por Lenin.

O Brasil não pode subestimar o EPP quanto à sua capacidade de rápido crescimento e de tentar se infiltrar em movimentos ocorrentes no ambiente rural da fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai. Em respeito à nossa soberania, temos que descer a lenha nesses terroristas do EPP e rechaçar qualquer tentativa dessa gente desordeira.

(*) Odilon de Oliveira é juiz federal em Mato Grosso do Sul.

Da hora, tio!
Confesso que estou com saudade dos tempos já vividos. Dos tempos em que às oito da matina as crianças já estavam na escola desde às sete e Marta e eu...
Automação não é só para call center
A automação de atividades tem sido bastante discutida nas empresas e na imprensa, mas por um viés “negativo”: a substituição dos homens pelas máquina...
Por onde começar quando se deseja mudar de carreira
Quero mudar de carreira, como escolho? Essa pergunta é mais comum do que imaginamos. Eu mesmo já passei por isto mais de uma vez, seja por não estar ...
De que maneira o setor de energia elétrica no Brasil sairá afetado pela crise?
Após uma seca severa que atingiu a geração de energia hidrelétrica e que forçou o País a recorrer para fontes de energia térmica, as chuvas voltaram ...



imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions