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Campo Grande, Segunda-feira, 18 de Junho de 2018

23/11/2017 14:21

Hora de pensar, ainda mais, na escola dos filhos

Por Valentin Fernandes (*)

Muitos pais já devem estar acostumados à rotina escolar e, por conta disso, durante novembro, dezembro e janeiro estão muito expostos com questões sobre matrícula e rematrícula. Mas o grande ponto a ser discutido é: em qual situação a família deve pensar na troca de instituição?

Umas das possibilidades de mudança refere-se ao período de troca de ciclo, ou seja, algumas escolas oferecem apenas algum tipo de segmento (Educação Infantil, Fundamental I, Fundamental II ou Ensino Médio); outra possibilidade está relacionada à mudança de residência da família, prevendo, inclusive, deslocamentos entre estados ou entre países. Também devemos prever uma possível falta de adaptação do aluno na escola na qual ele está inserido.

E, como em qualquer processo de mudança, o mesmo pressupõe alinhamento considerando o tripé: estudante, família e escola. Trata-se de uma fase delicada que requer suporte emocional, nova rotina, novas amizades, novos processos de aprendizagem, entre outros desafios. E, se a mudança for mesmo inevitável, é necessário ter em mente que a escola deve estar alinhada com a filosofia familiar, além de respeitar o projeto de vida do aluno.

Mas o que significa auxiliar no projeto de vida do estudante da Educação Básica? Muitas vezes, a reflexão sobre a carreira só é feita às portas da graduação, quando o ideal é que aconteça desde as séries iniciais. Uma escola que ajuda na elaboração de um projeto de vida considera a personalidade do aluno, as diferentes formas de aprendizagem, os diferentes olhares e desejos, as relações de alteridade. Esse é um direcionamento que ajuda a refletir sobre uma possível troca de instituição de ensino.

A partir dos pontos expostos, existem aspectos práticos que devem ser observados quando a troca é uma realidade. O primeiro deles refere-se aos valores da escola. A formação é cidadã? A escola realmente se preocupa em formar jovens pesquisadores, autônomos, por exemplo? O foco é apenas em conteúdo ou abarca a interação social? Temáticas políticas, sociais, culturais fazem parte do currículo?

O segundo ponto refere-se à parte pedagógica. Os pontos de análise devem se concentrar no método pedagógico, no material didático, nas atividades extracurriculares, nas particularidades de cada etapa do ensino, nas aulas de reforço, no envolvimento dos pais na vida escolar, na qualidade dos professores, entre outros.

A parte estrutural também conta na decisão. Vale checar se há uma boa quantidade de laboratórios, presença de tecnologia, se a biblioteca é boa, se existe segurança na escola. Alguns colégios oferecem estruturas que vão muito além da sala de aula e possibilitam uma vivência intensa, contemplando toda a família. Em algumas realidades é possível fazer esportes, atividades culturais, idiomas e até tomar um lanche em família enquanto se espera o estudante. Esse espaço de convivência colabora para a aproximação entre gerações, algo extremamente saudável na sociedade contemporânea. Nessas escolas, não é raro observar a avó esperando o neto entretido em uma atividade interessante. Os ganhos emocionais e em saúde são imensos. São exemplos de ações que levam a uma educação humanizadora.

Não esqueça também de verificar se é gostoso estar naquele ambiente, se é confortável. Se o seu filho se sente bem no ambiente escolar, a chance de acerto é enorme. Portanto, a visita à escola é um capítulo à parte e ajuda nesse processo de escolha.

Essas são algumas perguntas e ponderações que devem estar no roteiro de apuração dos pais e que darão base para as futuras decisões sobre a vida estudantil dos filhos.

(*) Valentin Fernandes é diretor-geral do Colégio Marista Arquidiocesano, do Grupo Marista.

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