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Campo Grande, Quarta-feira, 28 de Junho de 2017

28/03/2016 15:07

Lesões e dores: a morte do esportista amador e profissional

Por Roberto Cisneros (*)

Tempos em tempos, observamos na mídia a notícia de morte de praticantes em academias, corridas, vítimas principalmente de complicações cardiorrespiratória. Isso é previsível e quase que totalmente evitável.

Ora, se é possível prever as possibilidades da ocorrência de problemas cardíacos, que podem levar à morte, através de avaliação de riscos prévios com consultas e exames clínicos, qual motivo também de não evitarmos as famosas dores no corpo?

Para quem ama a prática esportiva, lesões que podem comprometer a realização de exercícios podem transformar a vida em um verdadeiro ‘inferno astral’. Por isso, importante se precaver, para nunca ter que parar a prática esportiva.

É óbvio que ninguém quer morrer, mas será que só a morte é a preocupação de esportistas? Lesões crônicas, sérias, no aparelho musculoesquelético, principalmente em membros inferiores, decorrentes também da ausência de avaliações de riscos de lesões em eventuais deficiências – nos músculos, ligamentos e articulações – muitas vezes incapacitante em definitivo, também não são preocupações?

Como dimensionar e prevenir lesões uma vez que deficiências na maioria das vezes não são detectadas previamente ao início da prática esportiva?

Pior ainda, o inicio de determinada prática esportiva, com programas de treinamento, é feito independente do perfil físico do atleta, muitas vezes com programas similares e repetitivos em frequência e carga para alunos totalmente diferentes em suas características físicas individuais e onde as falhas pessoais decorrentes dessas deficiências individuais podem levar ao aparecimento da dor nas articulações, musculares e que se fizermos uma similaridade ou paridade com o sistema cardiológico, seria o equivalente a uma complicação cardíaca.

Só a vida plena interessa para um atleta ou também a interrupção do esporte que ele gosta?

Como estabelecer o nível de carga e frequência para cada indivíduo, levando em conta as características físicas individuais, principalmente porque máquinas não nos avisam que estamos entrando numa zona de risco para o corpo?

Sabemos apenas que quando passamos do "ponto" a dor aparece, às vezes decorrente de sofrimento de longa data, mas que não doía!

O melhor e mais seguro ainda é evoluir em seus treinamentos com uma boa orientação, planilha de perfil individualizado, procurar não se empolgar ou exceder em treinos, tentar estabelecer seus limites, fazer treinos de forma pensada!

Afinal, "ganhar" lesões quando justamente você está buscando uma melhora física é muito triste e frustrante.

(*) Roberto Cisneros é médico ortopedista, membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Sociedade Internacional de Cirurgia de Joelho e Ortopedia do Esporte.

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