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O poder das ações direcionadas à escrita

Por Kleber Gomes (*) | 06/07/2026 08:30

Em tempos atuais, com o advento do foco excessivo nas telas, um dos resultados desse fenômeno se dá diretamente à dificuldade que muitos possuem em escrever algo com conteúdo, profundidade e base teórica. Vários aplicativos de textos e de mensagens, devido ao imediatismo que norteia quase tudo, incentivam as abreviações e aquilo que é raso em termos de escrita. Escrever, por um lado ficou fácil, por outro bem desafiante e, para muitos, algo quase impossível. Então, o que seria escrever e escrever, de fato, com qualidade e intensidade?

Em nosso trabalho local, temos incentivado nosso alunos não somente a lerem, mas também a escreverem. Essa busca por resultados de excelência na escrita reforça o compromisso que todos temos como educadores, na ciência de que tal ação requer paciência e perseverança durante o processo. No princípio, os frutos do trabalho trabalho são quase nulos, no entanto mirar os olhos no futuro nos faz ver médios e longos prazos para que as coisas aconteçam. Não se escreve bem de um minuto para o outro, da noite para o dia, em apenas uma aula.

Por vezes, ações somente voltadas à leitura acabam por ofuscar um trabalho mais intensificado que deveria ser realizado em prol da escrita e na formação de escritores. Não que a busca por leitores seja algo sem importância. A tônica aqui é destacar que leitura e escrita devem andar braços dados, quando se busca uma educação de qualidade, algo que imaginamos ser objetivo comum de todos os educadores pelo país. O Brasil precisa ler e escrever bem e o trabalho nesse sentido, na busca por resultados concretos, é algo complexo e desafiante, mas que vale muito a pena.

Alguns acreditam que a escrita tem a ver com algo semelhante a um dom recebido do alto e que, dessa forma, apenas alguns "iluminados" possuem essa habilidade para a junção das palavras e das ideias na confecção de maravilhosos textos com objetivo, coesão e facilidade na transmissão de ideias e de mensagens. A verdade é que o aprendizado relacionado à escrita é algo que ocorre ao longo do tempo, por meio de intencionalidade, técnicas e objetivos bem definidos com relação ao assunto.

A escrita tem a ver com o gosto que se tem pela leitura, pelos livros, pela pesquisa e pela curiosidade que leva o aluno à busca pelas respostas que tanto inquietam o aprendiz nessa jornada. Escrever se relaciona com elementos no entorno de quem escreve (ou não). Aprendemos a escrever o básico, o nome próprio, o endereço, a lista da próxima compra no supermercado. Não fomos desafiados a um mergulho mais profundo na arte da escrita. Ser raso passou a ser o objetivo nesse sentido. Nos tempos mais atuais, escrever pouco virou a moda.

O país, juntamente com as autoridades políticas, gestores e educadores deve trabalhar intencionalidades, no sentido de fazer com quem crianças e adolescentes se voltem a ações de escrita. Um trabalho sério necessita ser imprimido, para que uma nova geração surja possuidora por esse gosto acurado pela escrita.

Na busca de um maior número de escritores Brasil afora, muito importante a parceria com as famílias, pela qual nos lares por todo o país haja um compromisso semelhantes ao que muitos pais e responsáveis já abraçaram na missão de incutirem em seus filhos o gosto pela leitura.

Nos espaços escolares, um conjunto intencional de ações e práticas voltadas à escrita, capitaneada por gestores, coordenadores e professores precisa ser o mote, para que essa ambientes se tornem referencial motivador para que nossas crianças e adolescentes se voltem a essa salutar prática. Repito, o trabalho, as ações e a caminhada para tal têm um nível desafiante e de complexidade, mas os objetivos a serem alcançados justificam os meios empregados no presente.

Por fim, alcançarmos o mais valioso resultado que é a formação de uma nação não somente leitora, mas também escritora, liga-se ao fato de uma atenção redobrada nesse sentido por parte dos gestores públicos, das famílias e dos educadores. O país, ao final, agradecerá por todo o trabalho desde já iniciado.

(*) Kleber Gomes é pedagogo, professor em Educação Infantil e mestre e doutorando em  Ensino de História na UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul)

 

Os artigos publicados com assinatura não traduzem necessariamente a opinião do portal. A publicação tem como propósito estimular o debate e provocar a reflexão sobre os problemas brasileiros.