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Mãe, eu queria que o mundo fosse todo arrumado!

Por Talita Martins(*) | 10/06/2022 08:30

Certa noite, minha filha mais velha, de sete anos, terminava seu banho e, ao entregar-lhe  a toalha para se secar, lembrei-a de que, antes de dormir, ela precisava arrumar os brinquedos do seu quarto. Ela concordou comigo e pediu que eu a ajudasse, pois estava cansada. Eu combinei que, naquela noite, eu a ajudaria, mas que precisava entender que arrumar o quarto é um dever dela. Então, conversamos sobre algumas estratégias para ela se organizar melhor e, por fim, ela me disse: “Mãe, eu queria que o mundo fosse todo arrumado”. Na hora, fiquei tão surpresa com aquela frase que pedi para ela falar mais sobre aquilo. Ela explicou, rapidamente, que gosta de ver as coisas no lugar e que não gosta de ver lixo no chão. Naquele instante, pensei em escrever esse artigo para falar um pouco sobre a importância da organização externa para formação da organização interna dos seres humanos.

David Isaacs, em seu livro “A educação das virtudes humanas e a sua avaliação”, afirmou: “dificilmente a pessoa viverá a ordem por dentro se não a viver por fora”.

A ordem é uma virtude que deve ser ensinada às crianças desde muito pequenas. “Tudo tem um onde, guardo já” e “tudo tem um quando, faço já”. Sim, ensinar e praticar essa virtude é o começo de uma longa estrada de sucesso na vida do ser humano. Alguns estudiosos, na área de antropologia, falam que existem pessoas que, por natureza, tendem a ser mais ordenadas, enquanto outras, necessitam ser educadas, constantemente, na ordem, pois se perdem, facilmente, sem o auxílio de agendas e de outras ferramentas.

A ordem na educação das crianças e dos adolescentes precisa ser introduzida no cotidiano familiar por meio de tarefas básicas. Em casa, desde pequenos, todos precisam conhecer suas funções e contribuições. Os pais precisam antecipar e explicar como funciona a dinâmica da casa, definindo horários para acordar, para dormir, para a alimentação, para a higiene, para os estudos e para os afazeres domésticos. Tudo deve estar muito bem acordado e ter uma constante vigilância. Rafael L. Cifuentes diz que “o verdadeiro herói é aquele que cumpre com seu dever um dia e outro, até o fim, indiferente aos aplausos e hinos triunfais”. Assim, devemos ensinar aos nossos filhos.

As crianças e os adolescentes precisam saber organizar seus pertences para saber onde encontrá-los quando forem procurá-los, para que, assim, não se atrasem naquilo que se propuseram a fazer. Dessa forma, quem precisa organizar a mochila, a lancheira, o quarto, o uniforme, o dever de casa, escovar os dentes, tomar banho, estudar para as provas e etc. é a criança ou o adolescente. Como fazer com que ela ou ele faça tudo isso por vontade própria e no momento desejado? Ensinando a fazer e não fazendo por eles. Não nos esqueçamos de que o ato de ensinar exige tempo, paciência e disponibilidade. Para isso, serão necessários bons momentos de conversa, acordos estabelecidos, constância e, sempre, uma conferida, até que, por fim, a virtude da ordem esteja instalada. Ressalto aqui que isso levará tempo e muito sacrifício.

Quando todos na casa compreendem seus deveres e sua importância na família, tudo tende a ficar mais harmonioso, resultando em um ambiente empático e gostoso de viver.

Talita Martins é pedagoga e mestre pela UFMS em Saúde, Educação e Desenvolvimento. Diretora da Educação Infantil da Escola Harmonia.

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