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07/05/2014 19:07

Maria, cheia de graça

Por Heitor Freire (*)

Dentre as mulheres bíblicas, sobressai de forma magistral a figura de Maria.

Maria, com apenas 16 anos, noiva de José, recebe a visita do Anjo Gabriel, que lhe anuncia a concepção divina de Jesus, o que provoca nela uma reação natural, perguntando como se daria isso, pois não conhecia homem. Ante a resposta de Gabriel, de que ela seria coberta pelo Espírito Santo, aceita e se submete pacificamente à Vontade Superior. É interessante de se notar como José, um modesto carpinteiro, viúvo e noivo dela, também acabou se submetendo a essa situação totalmente estranha, não só para aquela época, mas até para o nosso tempo.

Ela deve ter passado por uma série de questionamentos interiores que toda mulher se faz naturalmente, muitas dúvidas perpassaram por sua mente. Após o nascimento de Jesus, dedicou-se totalmente a Ele. Ela não entendia muito bem o que Jesus representava e como agia. Sentia que Ele era um ser excepcional, e que ser sua mãe era uma dádiva de Deus.

Maria teve uma influência muito forte na vida de Jesus. Acompanhou-o em toda a sua pregação, procurando entender o que ele ensinava, sendo acometida, muitas vezes, de grandes indagações. A ponto de Jesus, em determinada ocasião, no episódio do seu sumiço aos doze anos no Templo, quando estava discutindo com os doutores da Lei, repreendê-la asperamente.

Quando do episódio das bodas de Caanã, ante a falta de vinho no decorrer da cerimônia, ela sentiu intuitivamente que Ele poderia resolver a questão; então o chamou num canto e pediu a ajuda do Filho, confiando que a questão seria resolvida. Deu-se ali o primeiro milagre de Cristo, conforme registra o Novo Testamento. Ele transformou a água em vinho, livrando, assim, os donos da festa de um vexame diante dos convidados.

Como mãe devotada, mesmo não sabendo muito bem o que ele fazia, ela nunca deixou de ser-lhe totalmente fiel e dedicada. Quando foi procurá-lo junto com seus demais filhos e se viu ante a pergunta de Jesus: “Quem é a minha mãe e quem são meus irmãos?” Essa afirmação de Jesus, deve tê-la deixado atônita e perplexa. Afinal, ela era sua mãe. E assim, Ele deixou mais um ensinamento: todos somos irmãos. Mesmo assim continuou a acompanhá-lo e a assisti-lo em tudo que podia. E acompanhou-o devotadamente até o seu calvário.

Outro ponto a considerar no que se refere à Maria, é a oração que lhe é dedicada: a Ave- Maria. Na segunda parte da oração, reza-se “Santa Maria, mãe de Deus”. Maria é mãe de Jesus, não de Deus. Deus não tem mãe. A oração como um todo foi aprovada pelo papa Sixtus V, no final do século XVI, pretendendo conceder-lhe uma condição celeste deturpando assim sua situação verdadeira: mãe de Jesus.

Maria é um ser tão fantástico que, ao longo dos tempos, suscitou uma devoção que se traduziu em diversas canções, músicas e óperas como, por exemplo, a sublime Ave Maria, que desperta nos corações das pessoas uma rara emoção. A peça é composta por uma melodia do compositor romântico francês Charles Gounod. Muitos cantores de diferentes estilos ao longo de séculos têm cantado a Ave Maria de Gounod/Bach, como Alessandro Moreschi, a soprano Maria Callas, Luciano Pavarotti, José Carreras, Andrea Bocelli.

Também Franz Schubert lhe dedicou uma popular canção italiana, interpretada também por grandes cantores. Aqui no Brasil o compositor Herivelto Martins dedicou-lhe o samba Ave Maria no Morro, imortalizado na voz de Dalva de Oliveira. Mereceu também quadros e esculturas de grandes artistas de todos os tempos.

O mês de maio é considerado o mês de Maria. Este mês, para mim é particularmente festivo: meu nascimento, meu casamento e o nascimento de três das minhas filhas, Raquel, Flávia e Thaís.

E aqui, do meu canto, reverentemente eu lhe digo: Ave Maria, cheia de graça.

(*) Heitor Freire é corretor de imóveis e advogado.

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