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Mulher trans é marcada com símbolo nazista após reatar relação

Vítima relata espancamento, ameaça de morte e queimadura em forma de suástica durante sessão de tortura

Por Bruna Marques | 14/03/2026 09:09
Mulher trans é marcada com símbolo nazista após reatar relação
A suástica, símbolo associado ao regime da Alemanha nazista e a ideologias extremistas (Foto: Reprodução)

Mulher trans de 29 anos denunciou ter sido vítima de uma sequência de agressões, tortura e cárcere privado. Entre as violências relatadas está a queimadura de uma suástica no braço esquerdo da vítima. O caso ocorreu na madrugada deste sábado (14), em Ponta Porã, a 313 quilômetros de Campo Grande.

RESUMO

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Uma mulher trans de 29 anos foi vítima de tortura e cárcere privado em Ponta Porã, Mato Grosso do Sul. O caso ocorreu na madrugada de sábado (14), quando a vítima foi atraída até uma residência sob pretexto de realizar um serviço de jardinagem. No local, três pessoas a agrediram com socos, chutes e golpes com objetos diversos. Entre as violências sofridas, os agressores marcaram uma suástica em seu braço usando uma faca aquecida. Um dos suspeitos foi preso e confessou participação nas agressões. O caso é investigado pela Polícia Civil como crime de tortura e lesão corporal.

Segundo o boletim de ocorrência, três pessoas participaram das agressões. De acordo com o relato feito à polícia, a vítima estava em casa cortando grama quando o ex-companheiro apareceu no local. Após conversarem, os dois decidiram retomar o relacionamento.

Pouco depois, ele teria saído para resolver assuntos em outra residência. No fim da tarde, uma mulher ligou para a vítima pedindo que ela fosse até a casa do casal para receber um pagamento e realizar um serviço de corte de grama.

A vítima foi até o endereço acompanhada do ex e levando o equipamento de trabalho.

Antes do início do serviço, ela foi convidada a descansar na área da churrasqueira. Enquanto isso, o ex foi chamado para conversar no escritório da casa.

Minutos depois, a vítima também foi chamada ao mesmo local sob o argumento de que receberia o pagamento.

Segundo o depoimento, ao entrar no escritório a vítima encontrou o ex segurando uma faixa de jiu-jitsu, enquanto o morador da casa estava sentado diante de um recipiente contendo uma pequena quantidade de sangue.

Ainda conforme o relato, o homem ordenou que ela cheirasse o frasco e depois levasse o conteúdo para enterrar. A vítima recusou.

Na sequência, teria sido obrigada a se sentar e foi questionada se preferia morrer em pé ou sentada. Temendo pela própria vida, ela tentou fugir.

De acordo com o registro policial, foi então segurada pelo ex enquanto o outro homem passou a agredi-la com um taco de sinuca.

A vítima conseguiu se soltar e correu para a área lateral da residência, mas acabou alcançada novamente.

Espancamento coletivo - A mulher relatou que foi espancada com golpes de vassoura, socos, joelhadas e pisões.

Segundo o depoimento, enquanto um dos agressores desferia golpes, o outro a segurava e tentava imobilizá-la com a faixa de jiu-jitsu, chegando a tentar laçar o pescoço da vítima.

A terceira pessoa também teria participado das agressões em diferentes momentos.

Em um dos episódios, ela teria cravado uma faca no celular da vítima para impedir que pedisse ajuda e dito em tom irônico que agora ela não poderia chamar ninguém.

Após parte das agressões, os dois moradores da casa passaram a consumir bebidas alcoólicas enquanto continuavam desferindo golpes esporádicos na cabeça da vítima.

Segundo o relato, um deles permaneceu o tempo todo com uma faca nas mãos, afiando a lâmina.

Marca nazista no braço - Em determinado momento, a faca foi aquecida no fogo. De acordo com o boletim de ocorrência, a lâmina quente foi usada para gravar uma suástica no braço esquerdo da vítima, próximo ao ombro.

Depois da agressão, o portão da residência foi aberto e a vítima recebeu ordem para ir embora. Ainda segundo o relato, ela foi ameaçada de morte caso denunciasse o ocorrido.

A mulher voltou para casa e, após algum tempo, decidiu pedir ajuda em um estabelecimento localizado em frente à rodoviária da cidade.

A Polícia Militar foi acionada e iniciou as diligências.

Durante as buscas, um dos suspeitos foi localizado nas proximidades de um terreno onde, segundo moradores, teria sido enterrado um possível feto.

Ele foi reconhecido pela vítima e recebeu voz de prisão por lesão corporal dolosa.

Em depoimento, o homem admitiu ter dado socos na vítima e confirmou que a segurou enquanto as outras duas pessoas praticavam agressões e queimavam o braço dela com a faca aquecida.

Na residência do casal apontado pela vítima, inicialmente ninguém atendeu os policiais, apesar de haver sinais de pessoas no interior da casa.

Após insistência, os policiais entraram no imóvel e um dos moradores abriu a porta minutos depois.

Ele afirmou que a confusão teria começado após uma discussão entre a vítima e o homem preso. Segundo a versão apresentada, ambos teriam iniciado uma briga física e ele apenas tentou separar.

A mulher também afirmou ter ouvido barulhos de discussão e tapas e disse ter visto os dois brigando quando saiu do escritório.

Todos os envolvidos foram levados para a delegacia para prestar esclarecimentos.

A vítima apresentava diversas lesões, incluindo hematomas no rosto, inchaço na testa e queimadura em forma de suástica no braço esquerdo.

O caso foi registrado como constituir crime de tortura e lesão corporal e é investigado pela Polícia Civil. As circunstâncias das agressões e a participação de cada envolvido seguem sob apuração.

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