A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Quinta-feira, 21 de Junho de 2018

05/03/2012 07:06

Não é possível pensar em desenvolvimento sem valorizar as pessoas

Marcus Eduardo de Oliveira (*)

O desenvolvimento, em suas múltiplas manifestações, não é uma questão de ter, mas, sim, de ser mais. Sábios e filósofos de todos os tempos profetizaram a esse respeito. Gandhi argumentou que o desenvolvimento seria bom e justo somente se elevasse a condição dos mais modestos. Em defesa de uma economia com uma face mais humana, o padre Louis Joseph Lebret pontuou que o desenvolvimento não deve ser visto apenas pelo prisma econômico (acúmulo material), mas, também pelo social, ético, político, moral. Adam Smith, preocupado em estudar a riqueza das nações, afirmou que a verdadeira riqueza deve ser avaliada pelo padrão de vida das famílias.

Pois bem. Se entendermos ser verdadeira a premissa de que uma economia boa é aquela que “funciona”, então a economia para poder funcionar a contento e fazer jus à sua condição de ciência pertencente ao campo do humanismo, necessita, obrigatoriamente, incluir as pessoas em suas análises e “atividades”.

Cabe ressaltar que a inclusão das pessoas passa indubitavelmente por avaliar o padrão de vida das famílias. Inclusão, na acepção do termo, está associada a atingir o estado de bem-estar.

É pela inclusão das pessoas, tornando-as participativa e valorizando-as, que poderemos então, com exatidão, medir o eixo da liberdade e da melhoria de vida de cada um. Isso implica, contudo, captar a realidade social.

Dito de outra forma, isso deve ser o foco principal das preocupações econômicas. Não por acaso é consenso afirmar que o crescimento econômico vem acompanhado por um florescimento das liberdades. Essa tal liberdade somente se torna plena quando incorpora em sua essência o mais importante imperativo: a justiça social. Por sua vez, justiça social é a outra maneira de chamar uma economia que esteja incorporada à idéia central que pretende colocar o progresso a serviço dos mais pobres, dos mais humildes. Àqueles que dirigem (e participam) das economias modernas – os agentes econômicos – devem estar cientes dessa premissa.

Definitivamente, não é possível pensar em desenvolvimento sem valorizar as pessoas, assim como também não é possível falar em crescimento de liberdades e de justiça social sabendo que um terço da humanidade permanece mergulhado na miséria.

Continuar postergando a solução desse enorme e desumano problema (fome-miséria-exclusão), é procrastinar a escala evolutiva da vida; antes disso, é afrontar a capacidade de viver em equilíbrio e em harmonia.

Ora, se todo problema social exige uma solução econômica, que a Economia (ciência e atividade) esteja à altura de resolver essa ignomínia.

Conquanto, antes da ação, é necessário o consenso. Por que afirmamos isso? Porque a divergência, nesse caso, apenas divide, e não permite construir o novo. Vejamos que a barafunda e a celeuma, em termos de condução da atividade econômica, tende a se estabelecer, o que impede, sobremaneira, apontar e vislumbrar um horizonte com mais nitidez.

Em se tratando de matéria econômica é muito mais corriqueiro termos dissenso que consenso. Isso é fortemente perceptível quando os economistas colocam as lentes sobre o real significado do desenvolvimento.

Nesse pormenor, uns dizem que a melhor política de desenvolvimento seria aquela capaz de enriquecer os indivíduos. Outros, mais preocupados com a realidade social, apontam que a melhor política é aquela que desempobrece os mais necessitados. Esses últimos estão ao lado dos que pensam ser necessário antes de qualquer outra coisa destruir os alicerces da pobreza, a fim de solidificar uma economia com capacidade de prosperar sem as manchas sociais mais tacanhas dos tempos modernos: a fome, a miséria e a exclusão social. Esses ainda são sabedores de que uma economia vai mal e regride quando a especulação e as artimanhas do mercado financeiro se tornam mais atrativas do que a criação de novas atividades que nascem de novas idéias que está, por sua vez, centralizada na valorização do capital humano.

Quando o capital humano passa a ser valorizado e incluído em termos de políticas econômicas, a satisfação dos incluídos se realça em escala exponencial. Assim, se a ideia central da economia não for pela inclusão das pessoas, a economia deixa de fazer sentido, uma vez que essa ciência nasceu para dar boas respostas sobre como melhorar a vida de cada um.

Aos economistas modernos que procuram pautar suas ações nessa linha de pensamento cabe anunciar mais um recado vindo da academia. De lá, Edmund Phelps, laureado com o Nobel, vem para dizer em alto e bom som que “a boa economia é a que satisfaz a aspiração a uma vida boa”. Alguém quer aspiração melhor a uma vida boa do que se sentir e estar incluído?

Portanto, se os economistas têm uma “função” bem definida na sociedade essa é, certamente, a de se envolver no processo de transformação econômica e social. A economia e os economistas modernos precisam, em termos de análises e ações, alcançarem os objetivos sociais.

É precioso pontuar, de uma vez por todas, que só haverá inclusão plena quando as ações econômicas envolverem a urgente transformação. Do jeito que está não é possível pensar em desenvolvimento sem valorizar as pessoas. Sem inclusão, definitivamente, não há progresso!

(*) é Economista e professor universitário. Especialista em Política Internacional pela FESP e mestre pela USP. Articulista da Agência Zwela de Notícias (Angola).

Servidor público da Previdência Social
Os servidores da Previdência Social, em especial aqueles que trabalham no INSS, estão totalmente sem norte, em virtude das mudanças políticas promovi...
A receita da sorte
Somos seres dependentes da repetição. Desde nossos processos biológicos à necessidade de se estipular uma rotina mínima para que a civilização funcio...
Condução coercitiva e os aspectos jurídicos
Em que pese tratar-se de temática absorta pela legislação processual penal desde a década de 40 (especificamente 1942, quando da entrada em vigor do ...
A carne mais barata do mercado é a carne negra
Os números apresentados pelo Atlas da Violência de 2018 mostram a agudização nas tendências do perfil de assassinatos cometidos no Brasil: a vítima é...


imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions