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Campo Grande, Segunda-feira, 18 de Junho de 2018

29/09/2017 07:15

Não perca o gosto pela vida

Por José Augusto Nasser (*)

Certamente você já se deparou com alguém na sua família, na vizinhança, no trabalho, ou viu em reportagens pessoas que apresentam sintomas da Doença de Parkinson. É uma doença degenerativa do Sistema Nervoso Central, que atinge à população da terceira idade, trazendo-lhe sérias limitações em termos de qualidade de vida.

De início, costumam aparecer sintomas como lentificação das atividades motoras automáticas mas, principalmente, um tremor de repouso. Sintomas que se manifestam normalmente de um só lado do corpo, mas que, com o passar dos anos, se tornam, inevitavelmente, bilaterais.

Por isso, consultar um neurologista especializado em movimentos involuntários é essencial. Nos grandes centros existem neurologistas dedicados a isso. Mas, uma equipe multidisciplinar é capaz de atender, esclarecer e amadurecer bem, com quem apresenta esses sintomas, às novas possibilidades de melhorar a qualidade de vida desse paciente.

Isto significa buscar não somente um neurologista, mas um neurocirurgião funcional, um fisiatra, um psicólogo (devido às dificuldades cognitivas), um fisioterapeuta, uma fonoaudióloga. Uma equipe capaz de cuidar e zelar pelos anos que o paciente tem pela frente, com qualidade de vida, é fundamental.

Hoje, discute-se inclusive qual a melhor estratégia de medicamentos para combater a progressão da doença, e também qual o melhor momento para indicar a colocação do famoso DBS, ou Neuroestimulador e Neuromodulador.

As novas tecnologias têm proporcionado ao neurocirurgião funcional e ao paciente fazer inúmeras combinações que, ao longo do dia, podem ser alternadas, fazendo com que, para cada paciente, seja aplicado um programa específico. E o resultado é a mais perfeita noção de controle motor que já se pensou. A esta inovação chamamos de neuromodulação, no sentido exato da palavra.

Atualmente temos diversos profissionais que cuidam do paciente, com esquema de drogas antiparkinsonianas apropriadas para cada tempo e finalmente, um Neuroestimulador que permite possibilidades impensadas anos atrás.

Quem se beneficia de tudo isto? O paciente, aquele que deve ser nosso objetivo maior... Isto é fazer a diferença em uma doença degenerativa, é trazer qualidade de vida a quem, sem nenhuma dessas ferramentas aplicadas em conjunto, perde o gosto pela vida. Não permita que isso aconteça, propague esta informação.

(*) José Augusto Nasser é Mestre e Doutor em Neurocirurgia pela Universidade Federal de São Paulo e autor dos livros “Ecos do Silêncio” e “Semeando Dons Colhendo Vocações”, pela Editora Canção Nova

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