A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Terça-feira, 20 de Fevereiro de 2018

28/11/2013 18:46

Novos rumos para a Igreja

Por Roger Araújo (*)

Desde que assumiu o comando da Igreja Católica em março deste ano, o Papa Francisco tem demonstrado que o seu pontificado será dedicado a um tempo de reformas na Igreja Católica. A Exortação Apostólica Evangelii Gandium, o primeiro documento oficial do seu pontificado, lançado nesta semana, dá o tom desta reforma.

A renovação começa dentro das estruturas da própria Igreja. Através de uma saudável descentralização, a começar de seu próprio poder, papa Francisco sonha com uma Igreja de maior comunhão eclesial, e com a colegialidade, isto é, ter os bispos no governo da Igreja, como já apontou o Concilio Vaticano II.

Tudo isso significa que as conferências episcopais de cada país terão mais participação nas decisões da Igreja e também mais autonomia para resolver as situações problemáticas de cada uma. No documento o papa manifesta preocupação com uma Igreja menos Europeia, e que assim possa acolher outras vivências culturais de tantas regiões onde ela se faz presente.

Francisco deseja ainda que essa renovação passe por uma mudança de postura nos métodos e meios da Igreja evangelizar. Ele pede para a Igreja, a começar dos seus próprios pastores, descer do pedestal e ir ao encontro das realidades em que vive o nosso povo. Uma Igreja mais comprometida com os sofrimentos e os dramas da humanidade nos dias de hoje.

Diferente do que muita gente fora do contexto eclesial podia imaginar, o papa não defende nenhuma mudança na visão da Igreja sobre o aborto, a ordenação de mulheres ou a comunhão para os casais em segunda união. Mas, deixa claro que se a doutrina da Igreja é a mesma, a prática pastoral precisa ser diferente. Não se pode fazer uma nova evangelização sem que a Igreja propicie os meios para ela mesma estar mais perto do povo. Neste sentido, a Exortação Apostólica fala de uma Igreja menos clerical e que possa sobretudo ouvir mais as mulheres e os jovens.

Francisco deu o recado à sociedade, aos governantes e às autoridades em geral. Condenou o modelo econômico capitalista atual, por gerar profundas desigualdades sociais e enfatizou que, enquanto não forem resolvidos os problemas dos mais pobres, não se resolverão os problemas do mundo. Denunciou a perversidade do sistema que se preocupa mais com os lucros do que com a pessoa humana.

É importante lembrar que este documento não tem caráter doutrinário e nem dogmático. Ele é um referencial para a ação pastoral e evangelizadora da Igreja, pois não define os rumos da Igreja, mas aponta o caminho e a direção na qual Francisco deseja que ela caminhe.

(*) Roger Araújo é padre, jornalista e membro da Comunidade Canção Nova.

Que tiros serão esses?
O Brasil nunca viveu uma guerra civil. Mas já amargou momentos em que os militares oprimiram o povo, suprimindo garantias individuais, suspendendo a ...
O destino de uma nação
Há filmes que valem por um ator ou atriz. Outros, por uma cena marcante. 'O Destino de uma Nação', dirigido por Joe Wright, reúne esses dois elemento...
O que esperar do Congresso Nacional para a causa indígena
A julgar pelas proposições legislativas que tramitam no Congresso Nacional, mormente na Câmara dos Deputados, o ano de 2018 promete ser de lutas no c...
A evolução do Funrural no maior segmento produtivo brasileiro
O “Funrural” é uma contribuição social paga pelo empregador em favor do trabalhador rural, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercializ...


imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions