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Campo Grande, Quarta-feira, 29 de Março de 2017

23/01/2012 13:40

O desenvolvimento do jornalismo

Por Gerson Luiz Martins*

Da série sobre ciência do jornalismo é importante refletir sobre a contribuição que um curso de pós-graduação stricto-sensu pode inferir no processo de produção jornalística. Em todos os cursos de mestrado, por exemplo, e no caso da UFMS, a maioria dos estudantes é oriunda do ambiente profissional, em particular do jornalismo. As propostas de projetos de pesquisa apresentados, de acordo com o perfil do corpo docente do curso, foram sobre problemas de jornalismo. Em outras palavras, são profissionais jornalistas atuantes em diversas empresas, redações ou assessorias, que decidiram estudar as questões do seu cotidiano profissional e contribuir, dessa forma, com a melhoria de suas atividades, com o crescimento das empresas em que trabalham.

As empresas jornalísticas hão que considerar séria e responsavelmente seus profissionais que fizeram a opção de se tornar também um pesquisador. É bom lembrar a seriedade e a responsabilidade com que as empresas de mídia dos Estados Unidos tratam aqueles jornalistas que optam em se qualificar academicamente. E não somente isso, investem, por meio de bolsas de estudo, incentivos e doações às universidades para que os produto dessas pesquisas possam ser, de forma privilegiada, aplicado na melhoria dos seus processos produtivos.

O ambiente da pós-graduação stricto-sensu, seja no mestrado ou no doutorado, é muito diferente da graduação. Na graduação, os estudantes estão no processo de qualificação profissional prioritariamente, não obstante a graduação também deva promover o desenvolvimento da atividade profissional. Enquanto que no mestrado ou doutorado há uma perspectiva de estudo, de pesquisa, de problematização dos processos e procedimentos para que se conheça a melhor forma de fazer ou de estar naquele segmento da sociedade, para que esta seja beneficiada.

Neste momento, em que se inicia e caminha em busca da consolidação, o curso de mestrado deve ser observado como um centro de qualificação da mídia local. Os empresários observam o curso, seus alunos e, consequentemente, seus docentes como uma fonte para que suas entidades, empresas, jornalistas e profissionais da área de comunicação se desenvolvam, se qualifiquem, que possa vencer os constantes e cada vez mais incessantes desafios da atividade jornalística. O dialogo entre os empresários e o curso de mestrado em comunicação deve pautar os planos de estudos daqui em diante. Os empresários identificam e postulam processos que possam melhorar suas atividades para que os processos de comunicação possam ser verdadeiramente sociais.

Os estudos de pós-graduação em comunicação, em especial, de jornalismo não devem se restringir às empresas jornalísticas, mas atingem principalmente as comunidades que demandam qualificar seus processos de comunicação. As comunidades, sejam as entidades comunitárias ou organizações não-governamentais (ONGs) se constituem em objeto de estudo dos programas de mestrado ou doutorado na área de comunicação, também se constituem em centros de realização dos processos de pesquisa, ou seja, não apenas como objetos de estudo, mas como locais da aplicabilidade das pesquisas.

Ninguém duvida que a comunicação é um elemento estratégico em todas as sociedades. Todos sabem, conhecem a importância da comunicação na sociedade contemporânea. Agora se pergunta, quais os temas, os objetos de estudo da primeira turma de estudantes do Curso de Mestrado em Comunicação da UFMS? Esse projetos atendem os interesses da sociedade? Mais. Esses projetos atendem os interesses da comunidade midiática? Ou esses projetos atendem os interesses do pesquisador?

É necessário que a comunidade conheça as propostas em estudo no Mestrado e quais as contribuições que essas propostas, projetos podem dar à sociedade. Importante ressalvar que os estudos, pesquisas na área de comunicação devem ser úteis para que, neste caso, o jornalismo, e por conseguinte a sociedade, evoluam, cresçam, se desenvolvam. Essa afirmação implica, de outro lado, numa pergunta, será que o jornalismo atual, a mídia em geral contribui para o crescimento, para o desenvolvimento da sociedade? Apenas um exemplo para refletir sobre essa contribuição que a mídia deve oferecer para o desenvolvimento social. A programação do sábado à noite na televisão! Será que essa programação contribui para as melhorias sociais? Fica a pergunta.

(*) Gerson Luiz Martins é jornalista, pesquisador do PPGCOM-UFMS e do CNPq

www.gersonmartins.jor.br

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