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31/01/2017 14:26

Perspectivas de controle das doenças transmitidas pelo Aedes aegypti

Por Pedro Luiz Tauil (*)

As doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, entre elas, dengue, chicungunha e zikavirose, apresentam incidência sazonal, aumentando sua frequência nas épocas de temperatura mais alta e de maior pluviosidade, correspondendo aos meses de janeiro a abril, nos países do hemisfério sul. Essa situação é explicada pelo aumento da densidade de infestação do mosquito que prolifera, preferencialmente, em reservatórios artificiais de água limpa.

Ainda não existem tratamentos eficazes e seguros para essas doenças virais. Recentemente, foi licenciada em alguns países, entre eles, o Brasil, uma vacina contra dengue, que protege contra formas graves da doença e parcialmente contra a sua incidência, mas ainda não há proteção contra chicungunha e zikavirose. Assim, o elo mais vulnerável da cadeia de transmissão desses agravos continua sendo o mosquito vetor.

Porém, o controle do mosquito encontra muitas dificuldades. Além das condições climáticas favoráveis existentes nos países tropicais e subtropicais, há situações precárias de habitação e saneamento, como as existentes em favelas, invasões, mocambos e cortiços, com abastecimento irregular de água e coleta deficiente de resíduos que favorecem sua multiplicação.

Colaboram ainda, para a proliferação dos mosquitos, a disposição inadequada no meio ambiente do grande número de embalagens descartáveis produzidas pela indústria moderna e de pneus usados resultantes do crescimento da indústria de veículos automotores. Além de ter preferência por alimentar-se em sangue humano, o Aedes aegypti se adaptou muito bem à vida urbana, que atualmente concentra no Brasil mais de 85% da sua população.

As medidas de combate ao vetor não têm se mostrado eficazes e duradouras. A complexidade da vida urbana exige medidas que dependem de boa articulação de diferentes setores da sociedade para promover melhorias das condições socioeconômicas da população. Essa articulação não é fácil de ser obtida. Assim, inovações técnicas são necessárias e fundamentais para o aprimoramento do controle vetorial. Existem iniciativas em desenvolvimento nesse sentido.

Uma delas é de origem australiana e consiste na substituição dos mosquitos Aedes aegypti silvestres por mosquitos Aedes aegypti infectados por uma bactéria chamada Wolbachia, inofensiva para seres humanos e animais, mas que se infectam com vírus dengue, chicungunha e zika ao picarem pessoas infectadas, no período em que têm o vírus no sangue periférico (fase de transmissibilidade), mas não se tornam infectantes, isto é, os vírus não se desenvolvem nos mosquitos, impedindo que sejam transmitidos a outros seres humanos. No Brasil, a Fundação Oswaldo Cruz desenvolve pesquisas que se mostram muito promissoras em localidades do Estado do Rio de Janeiro. Após um período de liberação dos mosquitos com a Wolbachia, a transmissão dessa bactéria pelos mosquitos fêmeas, para sua prole, se dá normalmente, tornando o processo autossustentável.

Outra inovação é de origem inglesa, a qual se utiliza de mosquitos transgênicos, cujos machos, ao fecundarem as fêmeas, a prole não se desenvolve para chegar à fase adulta, alada. Assim, os mosquitos vão sendo suprimidos. Experiências estão sendo realizadas em Juazeiro (BA) e em Piracicaba (SP).

Finalmente, uma terceira técnica em desenvolvimento é a que usa mosquitos Aedes aegypti irradiados com raios gama, tornando-os estéreis e, dessa maneira, impedindo que continue a sua proliferação, havendo também, como na técnica dos transgênicos, supressão dos insetos. Experiências desse tipo estão sendo realizadas no arquipélago de Fernando de Noronha.

As duas últimas técnicas necessitam da liberação continuada dos mosquitos modificados, não sendo autossustentáveis. Enquanto outras medidas de controle das doenças transmitidas pelos mosquitos Aedes aegypti não estão disponíveis, como vacinas eficazes e seguras, e tratamentos etiológicos específicos, a contenção do vetor é de muita relevância, com redução da densidade de infestação e da capacidade de transmitir doenças virais de importância sanitária pela sua grande magnitude de incidência e gravidade das pessoas acometidas.

(*) Pedro Luiz Tauil é professor do Programa de Pós-graduação em Medicina Tropical, da Faculdade de Medicina, da Universidade de Brasília; graduado em Medicina e mestre em Medicina Preventiva pela Universidade de São Paulo (USP), é doutor em Medicina Tropical pela UnB; atua na área de Saúde Coletiva, com ênfase em Epidemiologia (epidemiologia e controle de malária, dengue e febre amarela e metodologia epidemiológica).

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