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Campo Grande, Segunda-feira, 12 de Novembro de 2018

13/08/2011 11:11

Quem faz a escola?

Por Luiz Gonzaga Bertelli (*)

A bolacha vende mais porque é fresquinha ou é fresquinha porque vende mais? Esse tipo de raciocínio tem um nome complicado: tautologia. Pelo dicionário, trata-se de uma “expressão que repete o mesmo conceito já emitido, ou que só desenvolve uma ideia citada, sem aclarar ou aprofundar sua compreensão”.

O mundo da educação não está livre de dizeres tautológicos: a boa escola é feita por bons alunos ou são bons alunos que fazem a boa escola?

A resposta para esse dilema pode estar em um estudo feito pela Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da Republica, Instituto Ayrton Senna e movimento Todos pela Educação.

O levantamento revisou cerca de 200 artigos científicos nacionais e internacionais sobre educação e concluiu que aluno aprende 68% mais com professores de qualidade. Ou seja: é a escola que faz o aluno – educadores despreparados e desmotivados prejudicam o desempenho desse jovem.

Além disso, outros fatores são determinantes para aprimoramento do aprendizado, dentre os quais se incluem a quantidade de alunos por sala, apoio e estrutura da instituição de ensino.

A pesquisa quantificou até mesmo o impacto que a perda de uma aula gera para o aluno: a absorção de conhecimento de classes que perdem uma aula por dia letivo é 44% menor.

As conclusões, portanto, tiram dos jovens uma responsabilidade que muitos especialistas lhes tentaram imputar, na tentativa de isentar governos e escolas da má condução da educação brasileira ou, no mínimo, confundir o interlocutor com um raciocínio que não permite aprofundar a compreensão do problema.

Esse imobilismo não tem outro resultado senão as notas vexatórias de avaliações internacionais – como o Program for International Student Assessment (Pisa), que nos coloca atrás de nações como Turquia, Uruguai, México e Colômbia – e a baixa qualificação da mão de obra brasileira, que tanto ameaça a manutenção do desenvolvimento nacional no ritmo que tem se registrado nos últimos anos.

É preciso transformar a educação em prioridade nacional, engrossando o coro de intelectuais como Ozires Silva, fundador da Embraer e ex-presidente da Petrobras, que conhecem o poder transformador do conhecimento, focando especialmente o ensino superior.

Aliás, Ozires Silva capitaneia uma elogiável cruzada em favor da desoneração da Educação, propondo soluções inéditas que afetam até mesmo o dia a dia das empresas e suas políticas de incentivos educacionais.

Entre as propostas que sugere estão a desoneração das instituições de ensino – visto que cerca de 30% das mensalidades são tributos –, a criação de estímulo para as empresas promovam a capacitação entre seus colaboradores e a revisão das políticas de concessão de crédito para pesquisa e desenvolvimento.

(*) Luiz Gonzaga Bertelli é presidente executivo do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), da Academia Paulista de História (APH) e diretor da Fiesp.

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