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Campo Grande, Quarta-feira, 23 de Outubro de 2019

15/09/2018 08:46

Quousque tandem, ego meo, abutere patientia mea?

Por Heitor Freire (*)

O processo de autoconhecimento que deve ser uma prática constante em nossas vidas nos leva, paulatinamente, a descobrir a existência de um componente que se revela profundamente pernicioso em nossa evolução: o ego.

O ego nos domina de uma forma escravizante. Inventa uma série de necessidades inexistentes, criando uma ilusão de poder, de conquistas, de realizações que, na realidade, tornam-se um mecanismo de dominação dele sobre nós.

A pressa e a preguiça são frutos do ego. Com a pressa, deixamos de estar presentes no agora e passamos a agir fora de nós mesmos, ou seja, não estamos aqui nem ali. E esse estado irreal nos conduz a ações precipitadas e inconsequentes.

Por outro lado, a preguiça nos induz a adiar o que devemos fazer no momento para mais tarde, e assim deixamos de aproveitar o instante em que a vida se realiza: o agora.

Outra forma de domínio do ego é quando as pessoas se deixam levar por discussões por qualquer motivo, gerando brigas, agressões e atitudes muitas vezes inconciliáveis. Nesse momento passamos a julgar uns aos outros. Precisamos nos dar conta de que cada indivíduo é único. O ego nos leva a agir de forma a comparar as pessoas. E, assim, a julgá-las.

Quando atingimos a maturidade por meio do autoconhecimento, chegamos a um estado de equilíbrio que produz clareza – que começa com a palavra clara e certa e se reflete no pensamento. Tudo começa com a palavra: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus” (Jo, 1, 1-5).

Dentre os artifícios que o ego usa para nos dominar, vou relacionar alguns para que cada um possa identificá-los e assim buscar sua própria independência desse poder.

1. Um ponto importante é não permitir que sejamos ofendidos. Quem ofende e quem se sente ofendido é o ego. O conflito nasce na resposta. Não havendo resposta, não há atrito.

2. Liberar a necessidade de vencer. Vencer e perder fazem parte da vida. Sempre haverá alguém mais inteligente e mais capaz. É só entender e aceitar.

3. A necessidade de estar sempre certo. A posição intermediária é a do observador.

4. Vencer a vontade de ser superior. Focar nossas atitudes em melhorar nosso desempenho pessoal. Ninguém é melhor do que o outro. Todos somos filhos de Deus, emanando da mesma fonte.

5. Vencer a necessidade de possuir cada vez mais. O ego nos submete a um desejo constante de sempre querer mais. Estamos permanentemente ligados à Fonte Universal que nos supre do essencial.

6. Deixar de nos vangloriar de nossas próprias realizações. Ninguém faz nada sozinho, somos instrumentos de Deus, que nos permite a oportunidade de trabalho pessoal, porque sem Ele nada se faz.

7. Abandonar a reputação. Quem precisa da reputação, que depende dos outros, deixa de agir com aquilo que lhe é inerente: o seu caráter.

Seguindo esses passos, vamos acabar descobrindo o nosso verdadeiro eu, que se encontra no coração de cada um de nós. Observem que toda cada vez que nos referimos a nós mesmos levamos automaticamente, as mãos ao peito. Pois foi ali que Deus colocou o seu mandamento, como Ele mesmo disse a Moisés no livro Deuteronômio 30, 11-14. E, assim, encontraremos o maior de todos os tesouros, o EU SOU.


(*) A construção do título deste artigo em latim (Até quando meu ego, abusarás da minha paciência?) contou com a inestimável colaboração do meu amigo, dr. Methódio de Arruda Filho, a quem agradeço penhoradamente.

 

(*) Heitor Rodrigues Freire é corretor de imóveis e advogado.

 

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