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Campo Grande, Segunda-feira, 26 de Junho de 2017

05/04/2011 13:30

Santa Ca(u)sa I

Por Heitor Freire (*)

Se há uma entidade que sempre mereceu respeito da nossa população é a Santa Casa.

A Santa Casa de Campo Grande foi fundada por um grupo de cidadãos abnegados, que se sensibilizaram com a questão da saúde da população. Logo que o povoado passou a município, não havia local nem espaço para atendimento médico.

Assim, em 1922, esse grupo de cidadãos liderados por Eduardo Santos Pereira se reuniu e decidiu fundar essa instituição modelar e voltada para o atendimento da população mais carente, a nossa Santa Casa.

A Santa Casa é propriedade da Associação Beneficente Santa Casa, entidade sem fins lucrativos. Durante toda a sua existência foi administrada por cidadãos dedicados, prestantes, sensibilizados pela questão social e sem nenhuma remuneração financeira.

No entanto, a partir de uma intervenção indevida do poder público em 2005, num ato que contraria o estado de direito em que vivemos, a administração municipal achou por bem tomar a Santa Casa.

Apropriaram-se indevidamente do seu nome, do seu CNPJ e das suas contas bancárias, com respaldo incompreensível de gerentes de bancos, e passaram a emitir cheques e documentos em nome da associação, sem que tivessem para isso a mínima competência legal.

Pois quem tinha a prerrogativa de movimentação das contas era a diretoria eleita legalmente, que foi destituída por um ato de força. O que aconteceu com a Santa Casa é inadmissível e, lamentavelmente, sua administração permanece assim constituída, até hoje.

A Associação Beneficente de Campo Grande é uma entidade de direito privado, ou seja, tem vida própria, independente. Ela se mantém financeiramente com o faturamento através do SUS, dos planos de saúde (Unimed e outros) e do atendimento particular. Quem pode pagar, paga. Quem não pode, é atendido gratuitamente

E hoje, seus atuais administradores – nomeados e pagos pelo poder público – têm salários elevados, remunerados por valores muito acima dos praticados em qualquer empresa de grande porte em nosso estado.

Longe de resolver a questão financeira – principal argumento para “justificar” a intervenção –, a junta interventora aumentou a dívida da Santa Casa a níveis estratosféricos. Na época da intervenção foi feita uma auditoria que encontrou uma dívida de R$ 50 milhões. Hoje ascende a mais de R$ 100 milhões. Esses “administradores” terão de prestar contas de suas atividades que elevaram a dívida a patamares tão altos. E arcar com as responsabilidades daí decorrentes.

E o pior, não resolveram a questão.

O Correio do Estado, de 4 de fevereiro último, no Caderno B, seção Diálogo, informa o descaso a que foram submetidos os pacientes da Santa Casa quando chegaram de madrugada para obter senhas de atendimento do endocrinologista de plantão que começaria às 7 horas, mas não foram atendidos. Mais tarde, um guarda avisou que o médico estava “de folga”. Termina a nota: “Lamentável!”

As entidades de classe dos médicos como a Associação Médica de Mato Grosso do Sul, o Conselho Regional de Medicina - MS e o Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul, em nota de “Alerta à População”, publicada no Correio do Estado do dia 11 deste mês, previne a população que esteja atenta com o que está acontecendo. Diz a nota“... Novamente, trazemos ao conhecimento da população a situação caótica em que se encontram os hospitais referenciados para o atendimento emergencial em nossa capital, as unidades de pronto atendimento e, em especial, a SANTA CASA (destaque nosso), maior hospital do nosso Estado...”

A Santa Casa hoje está sucateada. Já foi referência nacional em transplante renal. Dos seus 750 leitos originais, hoje estão disponibilizados apenas 450.

Campo Grande precisa saber quem são os associados da Santa Casa, que acompanham estupefatos, o desenrolar dos fatos, cuja diretoria tomou todos os procedimentos jurídicos que, estranhamente, não encontraram respaldo em nossos juízes e desembargadores.

O quadro da Santa Casa é constituído de mais de 180 associados. Dentre estes, destaco, entre outros: Wilson Barbosa Martins, que governou duas vezes o nosso estado; Renato Ribeiro, pecuarista de renome – que inclusive foi também presidente da Santa Casa; Lúdio Coelho, ex-prefeito e ex-senador; Antonio Barbosa de Souza, pecuarista de grande porte; senador Ramez Tebet – que foi associado até a sua morte; Juvênio César da Fonseca, ex-prefeito e ex-senador – que também foi presidente da Casa; Levy Dias ex-prefeito e ex-senador; Valter Pereira, ex-senador; Marcilio Tezeli, ex-gerente do Banco do Brasil; senadora Marisa Serrano; senador Delcídio do Amaral Gomes; Jorge Elias Zahran; Arthur D’Àvila Filho, que foi oito vezes presidente da Santa Casa – verdadeiro abnegado da causa; Sinval Martins de Araújo, empresário de grande porte, presidente da entidade duas vezes. Eu também sou um dos associados.

Voltarei ao assunto.

(*) Heitor Freire é corretor de imóveis e advogado.

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Muito lindo o texto, mas não fala nada de quando antes da intervenção muitos dos médicos davam prioridade de atendimento aos conveniados. Sei disso porque EU VIVI ESTA SITUAÇÃO e só depois da intervenção, mesmo com a qualidade do atendimento tendo evoluido pouco, mais pessoas foram tratadas na Santa Casa, MAIS VIDAS FORAM SALVAS. Ninguém se lembra do elefante branco que era o hospital do trauma (AGORA EM CONSTRUÇÃO, FINALMENTE). Por que? Pura conveniência. Ninguém se lembra que antes da intervenção o prédio suplicava por reformas que só foram obtidas depois, com o esforço do prefeito. Agora, todo mundo toca no assunto que muitos médicos lá de dentro se disseram perseguidos quando na verdade estavam PUTOS por terem seus esqueminhas de ganhar dinheiro sob o nome da instituição desmontados. Acho que muita, muita coisa na Santa Casa tem que melhorar, mas depois da intervenção ela se tornou muito mais humana. O MUNDO PRECISA DE VERDADE!
 
Zenir Silveira da Costa em 06/04/2011 09:01:28
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