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Campo Grande, Sábado, 24 de Junho de 2017

22/04/2014 08:48

Segurança alimentar, geração de renda e recuperação ambiental em aldeias

Por Milton Parron Padovan (*)

Atualmente, o que se observa nas aldeias na região da Grande Dourados, em Mato Grosso do Sul, é que há a predominância de monocultivos estabelecidos pelos agricultores indígenas, para subsistência das famílias e também para a geração de renda.

A monocultura expõe os agricultores a riscos climáticos (seca, excesso de chuva, frio, calor excessivo, entre outros) que frequentemente provocam perdas totais de lavouras, o que contribui para a insegurança alimentar e inexistência de renda. Além disso, a monocultura, associada a manejos inadequados, tendem a degradar os solos e aumentar a ocorrência de “pragas e doenças” nas lavouras.

É necessário repensar o sistema de produção praticado por esses agricultores, que é baseado, em sua maioria, por culturas de ciclos curtos (anuais), como é o caso do milho, feijões e mandioca. Mas é fundamental promover mudanças que também fortaleçam a sua cultura, ampliando os cultivos de espécies vegetais que tradicionalmente fazem parte da sua alimentação, bem como para fins medicinais, condimentares, artesanatos, entre outros.

A Embrapa indica caminhos que proporcionam, além da segurança alimentar, a geração de renda e a recuperação ambiental nas aldeias indígenas. Em palestra realizada na terça-feira, 15 de abril, durante o Encontro dos Povos Indígenas de Dourados, foi abordado o tema "Arranjos Produtivos em Bases Agroecológicas", indicando caminhos e práticas para mudar a matriz de produção nas aldeias.

É necessário diversificar os cultivos agrícolas e de criação de animais nas aldeias. Nesse sentido, a consorciação de cultivos é uma estratégia de grande importância para ampliar as possibilidades na produção de alimentos e geração de renda ao longo do ano. Além disso, contribui para a melhoria do solo e equilíbrio biológico nas áreas de produção, minimizando e até dispensando o uso de agroquímicos.

Como parte desse processo de diversificação, conforme os estudos dos pesquisadores da Embrapa Agropecuária Oeste - Unidade de Pesquisa da Embrapa, em Dourados, MS -, estão os sistemas agroflorestais biodiversos, também chamados de sistemas agroflorestais em bases agroecológicas.

Esses sistemas são compostos por arranjos de plantas de interesse agrícola como mandioca, milho, feijão comum, feijão-caupi (feijão-catador ou de corda), abóbora, banana, abacaxi, entre outras culturas, que fazem parte da cultura alimentar dos indígenas, com espécies de árvores (nativas e exóticas) para diferentes finalidades, como produção de alimentos, medicinais, óleos, fibras, madeira, melhoria do solo e fortalecimento cultural das famílias envolvidas.

Ou seja, os sistemas agroflorestais diversificados têm as características desejáveis para garantir a segurança alimentar e nutricional das famílias indígenas, gerar renda, promover a recuperação ambiental e fortalecer a cultura indígena.

O que a Embrapa Agropecuária Oeste vem fazendo nesse sentido? Há resultados de pesquisas que podem subsidiar a orientação para a construção de arranjos produtivos em bases agroecológicas. Cursos, dias de campo, visitas interativas e palestras foram realizados envolvendo agricultores e agricultoras indígenas, a partir de demandas apresentadas.

A Embrapa entende que é necessário a ampliação das ações em benefício das comunidades e pode contribuir com conhecimentos e tecnologias apropriadas, que se somam aos conhecimentos tradicionais dessas comunidades e, juntos, são capazes de compor arranjos produtivos viáveis para a sustentabilidade desses povos.

A Embrapa estará sempre aberta para a construção de agendas em conjunto com as famílias indígenas, que venham ao encontro para atender às demandas reais desse público.

É importante ressaltar que esse processo de diversificação na produção gera maior necessidade de fortalecimento da organização e união entre as famílias indígenas, não só para a produção, mas na agregação de valor aos produtos produzidos e na comercialização.

(*) Milton Parron Padovan, pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste

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