Adolescentes do caso Lívia seguem livres, mas com tratamento mental obrigatório
A decisão contraria pedido do Ministério Público para a reinternação dos 5, que, por lei, dura 45 dias

Os cinco adolescentes investigados por homicídio qualificado e supostamente responsáveis pela morte da também adolescente Lívia Cioca Ferreira, de 13 anos, em Naviraí, continuarão em liberdade , conforme decisão do desembargador Waldir Marques, da 1ª Câmara Criminal do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul).
RESUMO
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Cinco adolescentes investigados pela morte de Lívia Cioca Ferreira, de 13 anos, em Naviraí (MS), permanecerão em liberdade após decisão do desembargador Waldir Marques, do TJMS, que contrariou pedido do Ministério Público pelo prolongamento da internação provisória. Os jovens devem cumprir medidas cautelares, como acompanhamento psicológico, proibição de acesso à internet e de contato entre si.
A decisão, publicada hoje em Diário Oficial, contraria pedido do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) para que a internação provisória fosse mantida mesmo após o prazo legal de 45 dias tenha acabado. Pela determinação, o desembargador entendeu que estão "ausentes, por ora, elementos que autorizem o restabelecimento da privação cautelar de liberdade após o exaurimento do prazo legal".
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Em primeira instância, o juiz Fernando Moreira Freitas da Silva, da 1ª Vara Criminal, já havia decidido pela liberdade dos acusados, mas com o cumprimento de algumas medidas cautelares, entre elas, a de acompanhamento psicológico e psiquiátrico obrigatório, seja na rede pública ou privada, "durante o trâmite processual, juntando mensalmente comprovante de presença às sessões nos autos".
Todos estão também proibidos de acessar a internet por qualquer tipo de dispositivo "exceto para videoconferências e compromissos com a justiça, o que será fiscalizado pela Delegacia de Polícia atuante no município em que possui residência".
A delegacia responsável, está autorizada, conforme decisão de Moreira no dia 21 de setembro, "a ingressar nas residências dos representados e outros locais que eventualmente possam frequentar, no intuito de inspecionar dispositivos com acesso à Internet que estejam em seu uso, bem como de que fizeram uso ou com suspeita de que iriam utilizá-los".
Eles também estão proibidos de manter contato entre si e com um adulto chamado de "imputável" pelo juízo e de se aproximarem ou entrarem em contato com qualquer vítima, testemunha ou outra pessoa que tenha participação na apuração.
Por fim, eles devem comprovar mensalmente a matrícula e o comparecimento escolar e manter seus endereços atualizados, além de se ausentarem de onde moram somente com autorização judicial.
Caso Lívia – A Operação Lívia começou a partir da investigação envolvendo uma adolescente de 13 anos, de Naviraí, que morreu em julho durante uma transmissão ao vivo no Discord. A partir do caso, a Polícia Civil passou a monitorar as interações digitais e identificou indícios da existência de uma rede mais ampla, com outros envolvidos e possíveis vítimas.
Na primeira fase, realizada em agosto, um adulto foi preso e cinco adolescentes foram apreendidos. Entre eles estava um jovem de 14 anos apontado pelos investigadores como líder do grupo. Segundo a Polícia Civil, os grupos utilizavam mecanismos de chantagem, manipulação e coerção psicológica para submeter adolescentes em situação de vulnerabilidade às determinações dos integrantes.
A investigação busca ainda identificar possíveis vítimas, interromper situações de risco e responsabilizar os envolvidos. No dia 15 de setembro, a Polícia Civil de MS deflagrou a segunda fase da Operação, a partir da análise técnica de celulares, computadores, mídias e outros materiais apreendidos na primeira etapa da investigação, chegando a mais seis adolescentes.
Ao todo, foram cumpridas seis medidas cautelares de busca e apreensão de adolescentes e seis mandados de busca e apreensão domiciliar nos estados da Bahia, São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, além do Distrito Federal.
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