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Cidades

Prefeitura da Capital e Estado travam guerra sobre dados de superlotação de UTIs

Após prefeitura dizer que 63% dos pacientes em UTIs são de fora, SES rebateu, mas sem mostrar número de junho

Por Ângela Kempfer | 22/06/2021 16:43
Marquinhos Trad e o secretário Geraldo Resende são dois lados opostos na avaliação da pandemia.
Marquinhos Trad e o secretário Geraldo Resende são dois lados opostos na avaliação da pandemia.

A manhã desta terça-feira terminou com a prefeitura de Campo Grande divulgando dados de auditoria que apontam superlotação de UTIs na Capital graças a pacientes vindos do interior. Logo, o governo do Estado revidou, publicando matéria no site oficial com outros números. Essa briga de estatísticas ocorre prestes a sair nova avaliação do Programa Prosseguir, que criou “mapa da discórdia”, colocando prefeituras e Estado em lados opostos na luta para conquistar a opinião pública2.

A auditoria da prefeitura, feita entre 5 e 11 de junho, mostrou que 63% dos pacientes em leitos de UTI eram de outras cidades. O período é referente a semana que levou o governo a classificar a cidade com bandeira cinza, avaliação contestada pelo município.

Horas depois, no fim da tarde a Secretaria de Saúde rebateu com outro período de dados, levando em conta o ano de 2021, garantindo que 87,8% dos pacientes internados em leitos de UTI em Campo Grande nos últimos seis meses são residentes no próprio município.

Em resposta aos números da prefeitura, o secretário de Saúde, Geraldo Resende, atacou: “Dizer que Campo Grande atende 63% de pacientes vindos do interior do Estado é no mínimo desconhecimento ou distorção dos fatos reais que os sistemas de informação oficiais demonstram, sistemas que o gestor responsável por seu município tem a obrigação de conhecer com profundidade”, afirmou Geraldo Resende.

No entanto, o Estado não apresenta os dados do mês de junho, alvo da contestação da prefeitura. Cita apenas maio, com 88,24% dos pacientes de Campo Grande, e o período entre janeiro e maio, quando 87% das internações eram de moradores da Capital.

Embate - A prefeitura da Capital resolveu seguir a própria classificação desde o último mapa do Prosseguir, quando foi enquadrada com bandeira cinza. A Capital não aceita a avaliação por entender que o pior período da pandemia foi em maio e, mesmo assim, no mês passado a cidade ganhou apenas bandeira vermelha.

As estatísticas estaduais reforçam essa tese. Segundo boletim epidemiológico, a 13ª semana de 2021, em abril, foi a pior em relação a covid, com 178 mortes em Campo Grande, contra 118 e 119 nas primeiras semanas de junho.

Sobre o fato da Capital “reclamar” de receber pacientes do interior, a secretaria também lembrou que muito foi investido na Capital, justamente para receber moradores de outras cidades. “É fundamental ressaltar que Campo Grande, conforme pactuação no SUS, é a sede de macrorregião de Saúde, recebe uma gama de recursos financeiros considerável incorporados ao teto municipal para desempenhar esse papel na Rede de Saúde”.

No entanto, a alegação da prefeitura é que o fato da maioria ser de fora mostra que a epidemia tem afetado o entorno da Capital de maneira mais violenta que em Campo Grande.

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