"Cidade de 15 minutos" esbarra em distância e falta de estrutura na Capital
Maioria dos leitores do Campo Grande News afirmou que consegue resolver o básico do dia a dia perto de casa
A sombrinha para proteger do sol do final da manhã de um fim de semana indica uma escolha pouco óbvia para os campo-grandenses: caminhar para resolver atividades do dia a dia, como ir ao posto de saúde, mercado, padaria, escola ou trabalho em até 15 minutos.
RESUMO
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Campo-grandenses enfrentam desafios para adotar o conceito de cidade de 15 minutos, proposto pelo urbanista Carlos Moreno, que defende acesso às necessidades básicas a pé ou de bicicleta. Moradores relatam obstáculos como falta de comércio próximo, calçadas inadequadas e veículos estacionados irregularmente. A maioria recorre a aplicativos de transporte ou carros para suprir necessidades cotidianas, mesmo quando os destinos estão relativamente próximos.
Essa é uma tendência entre as cidades pelo mundo. A ideia desenvolvida pelo urbanista Carlos Moreno propõe que as pessoas tenham acesso às principais necessidades em até 15 minutos de casa a pé ou de bicicleta.
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Para a professora Victoria Nascimento, de 29 anos, essa é uma possibilidade que cabe em algumas situações dentro da sua rotina, como ir no salão de beleza. Ela mora no Bairro Santa Fé, região central de Campo Grande, e o trajeto para ir e voltar de casa é de aproximadamente 10 quarteirões.
Ela conta que a caminhada é uma exceção, já que no bairro em que mora não há muitas opções de comércio próximo. "Eu vou a pé para o salão e para a academia, essas são as coisas que eu faço a pé no dia a dia", relatou. Para chegar aos outros destinos, como a escola em que trabalha no Bairro Coronel Antonino, a alternativa é usar aplicativos de transporte.
"Essa região eu acho meio esquisita porque não tem um hortifruti, não tem mercadinho de bairro, se faltar alguma coisa e precisar comprar um papel higiênico só tem o mercado do shopping, que é chato de ir. E aí, em contraposição, tem três escritórios de advocacia nessa rua. E, assim, eu preciso muito mais comprar um alface do que contratar um advogado", afirmou.

Além disso, Victoria aponta a falta de infraestrutura pensada para o pedestre. "Ali naquela quadra mesmo tem dois carros estacionados na calçada, então você vai passar ali, você tem que atravessar para o outro lado. Então é carro estacionado na calçada, é bar com mesas e cadeiras ocupando a calçada, espaço do pedestre, calçada que não é apropriada", descreve. Ela ainda relata que, em um dos trechos para cruzar a Avenida Mato Grosso, há um degrau que dificulta a passagem.
O barista Wendel de Sousa, de 27 anos, mora no Jardim Presidente e trabalha no Carandá Bosque. Segundo ele, seu principal meio de transporte é aplicativo, porque no bairro da região norte da Capital os serviços essenciais do dia a dia não são perto.
Para comprar um pão para o café, a caminhada é de 20 minutos para ir e 20 minutos para voltar. "Pelo menos ali na minha região, fica um pouquinho afastado. Nem tudo tem acesso muito fácil, até mais pela distância mesmo", explica. A opção é usar o carro para ir a bairros vizinhos.

Ele conta que a ida ao mercado para resolver algo rápido ainda dá para ser feita a pé, mas para as despesas do mês só com carro de aplicativo. "Porque aí você vai optar por um mercado que é mais em conta, aí já fica um pouco mais distante", completa.
No coração do Bairro Carandá Bosque a Rua Vitório Zeolla concentra inúmeros restaurantes, bares e estabelecimentos comerciais. Mesmo assim, o padrão é o uso de carro. As sombrinhas dão lugar às chaves de carro e às distâncias percorridas são apenas do estacionamento.
Já para o frentista José Alan Santos, de 21 anos, evitar fazer as coisas a pé é uma escolha. Ele mora no Bairro Coronel Antonino, região norte de Campo Grande. E, mesmo quando tem que ir ao mercado, que fica a 5 minutos da sua casa andando, ele vai de moto. "Aí dá um minutinho", brinca. A justificativa é a facilidade que o veículo traz. "Porque eu vou de moto mais rápido, pra trazer as coisas também mais fácil", completa.
Mas essa é uma nova realidade que faz parte da sua vida há cerca de dois anos, quando se mudou para Campo Grande. Na sua cidade natal, Rio Branco, no Acre, a regra era andar a pé. "Lá andava a pé, não tinha moto e tudo era perto, em meia hora você atravessava a cidade", comparou.

Resultado - A maioria dos leitores que participaram da enquete do Campo Grande News afirmou que consegue resolver o básico do dia a dia com serviços perto de casa. De acordo com a enquete deste sábado (4), 77% dos votantes afirmam que têm tudo perto de casa. Apenas 23% dos votantes têm que buscar serviços em outras regiões.
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