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Cidades

Com 13 mortes por covid em 3 meses, Defensoria pede vacina urgente para grávidas

Das 21 mortes maternas registradas no 1º trimestre do ano, 61% foram por conta do coronavírus

Por Ana Paula Chuva | 16/04/2021 13:07
Ofício foi entregue ontem ao secretário estadual de Saúde. (Foto: Defensoria Pública)
Ofício foi entregue ontem ao secretário estadual de Saúde. (Foto: Defensoria Pública)

Após o aumento de 600% nas mortes maternas por covid-19 no Estado, a Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul entregou à Secretaria Estadual de Saúde pedido de medidas de atenção à saúde das gestantes e puérperas, entre elas a inclusão no plano de vacinação contra a doença. No 1º trimestre de 2021 os óbitos de gestantes subiram de três para 21.

O pedido foi entregue na tarde de ontem (15) pela defensora e coordenadora do Nudem (Núcleo de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher), Thais Dominato, apontando que das 21 mortes maternas no 1º trimestre de 2021, treze foram por covid-19, em MS. Isso significa 61% do total.

 "O Brasil é onde mais morrem gestantes por covid. No ofício entregue ao secretário ressaltamos que essa quantidade de mortes é expressiva quando comparamos no mesmo período de 2020, que teve apenas três óbitos", explicou a defensora.

No mês de fevereiro, o grupo foi excluído do Plano Nacional de vacinação e as Defensorias Públicas de MS e mais 15 estados pediram uma justificativa ao Ministério da Saúde .

Já em 15 de março, uma Nota técnica sobre a vacinação das gestantes foi expedida recomendando a imunização das grávidas com com comorbidades preexistentes e definiu ainda que a vacina pode ser oferecida a gestantes sem comorbidades após avaliação de riscos e benefícios.

Mas apesar da recomendação,  o documento não indicou que gestantes, puérperas e lactantes, devam ser incluídas no grupo prioritário para vacinação.

 Na reunião com a Defensoria,  o secretario estadual de Saúde, Geraldo Resende, afirmou que compartilha da necessidade da inclusão das gestantes na vacinação e tem tentado apoio para a abrangência da cobertura vacinal.

“Para mim o retrato mais cruel é a mortalidade maternal e infantil. Eu como ginecologista obstetra sei que minha passagem por aqui, na SES, não será completa se eu não fizer algo a respeito. Sobre a vacina estou pedindo apoio das entidades de ginecologia e obstetrícia para que levem a pauta ao Conselho Nacional de Saúde e haja a inclusão desse grupo”, explicou o secretário.

Na quarta-feira (14) a Prefeitura de Campo Grande abriu o cadastro prévio de gestantes e puérperas com até 45 dias para a vacinação contra covid-19, mas ainda não divulgou a data em que a imunização deve acontecer.

Outros pedidos - No documento, a Defensoria reforçou a importância dos serviços de saúde sexuais e reprodutivos  ofertados pelo SUS (Sitema ÚNico de Saúde), principalmente  o DIU de cobre no pós-parto e pós-aborto, para o combate à mortalidade, e o incentivo ao pré-natal.

E foi informada pelo titular da SES que um levantamento será feito no Estado para saber a quantidade de grávidas e o pré-natal dos municípios.

 “Vou fazer um levantamento do quantitativo de grávidas no Estado e, inclusive, estou comprando 70 aparelhos de ultrassom para cidades que não têm e aparelhos móveis para chegar a aldeias e áreas rurais de difícil acesso”, explicou o secretário.

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