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Cidades

Covid matou 441 idosos e fez 24 vítimas de fora do "grupo de risco"

Em MS, 75% vítimas da covid-19 eram idosos e 4% estavam totalmente fora do grupo de risco

Por Guilherme Correia | 15/08/2020 09:42
Velório em cemitério de Campo Grande, ao ar livre, conforme normas sanitárias (Foto: Henrique Kawaminami/Arquivo)
Velório em cemitério de Campo Grande, ao ar livre, conforme normas sanitárias (Foto: Henrique Kawaminami/Arquivo)

Desde o início da pandemia, médicos e pesquisadores do mundo todo vêm alertando para a possibilidade de pessoas do chamado "grupo de risco" morrerem pela doença causada pelo novo coronavírus. Em Mato Grosso do Sul, os idosos representam 75% dos mortos, mas 4% das vítimas não tinham qualquer outra doença para complicar o quadro.

Dentre as 591 mortes registradas até ontem (14) pela SES (Secretaria Estadual de Saúde), 441 tinham mais de 60 anos ou apresentavam alguma comorbidade, como problemas no coração, diabetes ou obesidade, por exemplo. Outras 49 vítimas idosas não tinham agravantes de saúde.

Considerando os 3.947 idosos que contraíram o coronavírus, a taxa de letalidade (quantos morreram dentre os que tiveram a doença) fica em 11,2%.

Fora do grupo de risco - Vinte e quatro pacientes, com menos de 60 anos e que não possuíam fatores de risco relatados, faleceram de covid. Isso representa uma taxa de letalidade de 0,08% entre esse grupo.

Exemplo disso é o caso relatado pelo Campo Grande News em 25 de julho, quando Sandra Goularte da Silva, moradora de Iguatemi, faleceu aos 32 anos de idade.

De acordo com a médica infectologista Mariana Croda, ainda não há uma resposta conclusiva que explique quem morre fora do grupo de risco ou o contrário. "Há ainda uma lacuna no conhecimento acerca da fisiopatologia da doença, sobretudos no aspecto imunológico".

O fato destas pessoas [grupo de risco] serem mais propensas às complicações da doença não explica por completo a grande disparidade no risco ao agravamento e morte entre as faixas etárias. Vários estudos estão sendo conduzidos para tentar explicar melhor essa evolução", completa a especialista.

Outras doenças - Mais recente boletim epidemiológico de Influenza mostra que 80 pessoas contraíram alguma variação dessa gripe, e oito pacientes faleceram da mesma. Ou seja, a doença teria taxa de letalidade muito próxima à da covid-19 entre grupo de risco. Uma a cada 10 pessoas que contraíram o vírus H1N1 não resistiram em 2020.

Além disso, a dengue, uma das principais doenças que atinge países da América do Sul, e que posiciona o Estado como segundo maior em taxa de incidência (quantidade de casos proporcionais à população), matou 39 pessoas em 2020. Isso representa uma taxa de 0,06% de letalidade, se considerarmos os mais de 67 mil casos notificados.


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