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Cidades

Crimes violentos em MS caem, mas crescem as mortes em confrontos com policiais

Agentes da segurança pública também foram mortos ou se mataram, sendo oito casos entre 2020 e 2021

Por Lucia Morel | 29/06/2022 17:26
Policiais militares do Batalhão do Choque chegando à fazenda Borda da Mata, em Amambai. (Foto: Reprodução)
Policiais militares do Batalhão do Choque chegando à fazenda Borda da Mata, em Amambai. (Foto: Reprodução)

A violência intencional em Mato Grosso do Sul, como homicídios, latrocínios e até lesões corporais tiveram queda entre os anos de 2020 e 2021, conforme o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Na contramão dessa redução, as mortes decorrentes de intervenções policiais saltou de 21 para 44, o que representa aumento de 107,3%.

O número se refere tanto às ações de policiais civis quanto de militares, seja em ou fora de serviço, sendo que dos primeiros, a quantidade de ocorrências em 2020 foi de quatro e um ano depois, 10. Já em relação à Polícia Militar, há dois anos, chegou-se a 17 casos e um ano depois, a 34. Em todo Brasil, 6.145 pessoas morreram em confronto com policiais.

Segundo os dados do anuário, o perfil dessas pessoas é de homens, adolescentes e jovens, pretos e pardos. “No ultimo ano, 99,2% das vitimas eram do sexo masculino”, cita o levantamento. “Em relação à faixa etária, 52,4% das vitimas tinham no máximo 24 anos quando foram mortas, percentual que sobe para 74% se considerarmos as vitimas de até 29 anos, ou seja, as vítimas de intervenções policiais são consideravelmente mais jovens que as vitimas de mortes violentas intencionais, em que 74% das vítimas são jovens de até 29 anos”.

Recentemente, um indígena guarani-kaiowá, Vito Fernandes, morreu em uma intervenção policial na Fazenda Borda da Mata, em Amambai. Na ocasião, militares do Batalhão de Choque atendiam denúncia de tráfico na região, conforme alegou a Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública).

Fonte: Anuário Nacional de Seguraça Pública.
Fonte: Anuário Nacional de Seguraça Pública.

Mas agentes da segurança pública também foram mortos e conforme os registros, foram quatro policiais civis em 2020, sendo dois em serviço e dois fora de serviço. No ano seguinte, nenhuma ocorrência foi registrada. Entre policiais militares, não houve registros em nenhum dos dois anos, conforme o anuário.

Já quando se leva em conta o registro de suicídios, o total em dois anos foi de quatro casos, sendo um de policial civil em 2020 e outro em 2021. O mesmo número foi registrado entre policiais militares no período.

Citando o livro “O Suicídio”, do sociólogo francês, Émile Durkheim, o anuário destaca que “o suicida comete o ato por acreditar que não consegue dar conta dos papeis sociais que lhe são exigidos pela sociedade. No seu ato extremo, interromperia a pressão social que sofre, elevando-se à concepção de uma morte como reforço dos padrões sociais”.

Apesar de citar especificamente o suicídio, o Fórum Nacional avalia que tanto o assassinato de policiais quanto os casos em que eles tiram a própria vida, têm base comum: “uma pressão interna às corporações, mas também externa à elas, que lhes dizem ser “a última trincheira do bem”, o “esteio moral da sociedade”, “o cumprimento do dever com o sacrifício da própria vida”".

"Mensagens messiânicas que invocam o papel dos policiais na luta contra o “mal”, lança-os em ações arriscadas, em que o saldo de vidas perdidas, de quaisquer lados do cano de um fuzil, é resultado aceitável. Não deve ser!”.

Outros crimes – Mato Grosso do Sul apresentou redução também queda nas ocorrências de furto de veículos, sendo 5% menor em 2021 (2.882) em relação a 2020 (2.937) e queda de 62% em relação a roubo de celulares quando se leva em conta 2018 a 2021. Até mesmo roubo de comércios e casas caíram, com redução de 15,3% e 3,4%, respectivamente. Roubo a transeuntes apresentou queda de -13,3 no número de casos.

Casos mais graves que tiveram aumento foram roubo de veículos e estelionato, com aumento de 17,2% do primeiro entre 2020 e 2021 e 158% em relação ao segundo. Sobre estelionato em fraude eletrônica, 2021 foi o primeiro ano de registro, com 876 casos.

Acesse o anuário neste link ou no arquivo: anuario-2022.pdf

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