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Interior

Conflito teve cerca de 30 feridos, mas muitos não procuraram socorro por medo

Eles foram atendidos pela brigada popular, composto por médicos do MST, que foi montada na área de conflito

Por Viviane Oliveira | 27/06/2022 11:00
Um dos indígenas feridos durante conflito com policiais militares. (Foto: divulgação)
Um dos indígenas feridos durante conflito com policiais militares. (Foto: divulgação)

No mínimo 30 indígenas ficaram feridos, a maioria com munição letal, durante o conflito ocorrido na sexta-feira (24) envolvendo policiais militares e os guarani-kaiowá na Fazenda Borda da Mata, ocupada no dia anterior, em Amambai, distante 351 quilômetros de Campo Grande. As informações são do Cimi (Conselho Indigenista Missionário).

Vito Fernandes, 42 anos, foi morto a tiros e outros sete indígenas foram levados para o hospital da cidade. A PM (Polícia Militar) afirma que três policiais também sofreram ferimentos leves.

Matias Benno Rempel, coordenador do Cimi-MS, explicou que os indígenas acreditavam que mais gente havia morrido, inclusive chegou a circular informação de que teria havido outra morte durante o confronto com os policiais.

No local, foi montado um corpo da brigada popular, composto por médicos do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e de médicos populares, que foram para a área do conflito para atender a comunidade.

Segundo Matias, a maioria dos indígenas feridos não quis procurar ajuda médica no hospital por medo de serem presos, porque os que foram e receberam alta estavam sendo levados [pela polícia] para a delegacia. “São muitos feridos, no mínimo 30, inclusive com munição letal. Eles preferiram ficar no território, onde foram atendidos por essa brigada popular, que foi fundamental”, disse.

Em entrevista coletiva na sexta-feira (24), o secretário estadual de Justiça e Segurança Pública, Antônio Carlos Videira, negou que o Batalhão de Choque da Polícia Militar tenha ido a Amambai para atender ocorrência de invasão em fazenda. Ele afirmou que a Polícia Militar foi acionada por proprietários rurais devido a tráfico de drogas e furtos numa área que fica perto da aldeia. De acordo com Videira, o Choque foi surpreendido por indígenas e revidou.

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