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Cidades

Polícia apura se avião decolou com vento de cauda antes de cair

Hipótese surgiu após a análise de um vídeo da biruta do aeroporto

Por Anahi Zurutuza, Aline dos Santos e Silvia Frias | 17/07/2026 18:32
Polícia apura se avião decolou com vento de cauda antes de cair
Equipe no Cenipa fazendo estudos no local (Foto: Maya Severino/Arquivo)

A Polícia Civil apura se a aeronave que caiu após decolar do Aeroporto Santa Maria, em Campo Grande, iniciou o voo com vento de cauda, condição que pode reduzir o desempenho do avião durante a decolagem. A hipótese surgiu após a análise de um vídeo da biruta do aeroporto, gravado aproximadamente dois minutos depois da saída.

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Polícia Civil investiga se a aeronave que caiu após decolar do Aeroporto Santa Maria, em Campo Grande, iniciou o voo com vento de cauda. A hipótese surgiu após análise de vídeo da biruta do aeroporto. O acidente, ocorrido em 3 de julho, matou a pesquisadora alemã Lydia Möcklinghoff e o piloto. Testemunhas relataram neblina intensa no local. O caso também é investigado pelo Cenipa.

A aeronave decolou às 6h44 do dia 3 de julho pela cabeceira 06, conforme registrado no boletim de ocorrência elaborado pela Decco (Delegacia Especializada de Combate ao Crime Organizado). Segundo o boletim de ocorrência, as imagens registradas pouco depois mostravam a biruta indicando vento alinhado para a cabeceira 24, sentido oposto ao escolhido pelo piloto.

O acidente matou a pesquisadora alemã Lydia Theresia Möcklinghoff, de 45 anos, e o piloto da aeronave, Henrique Martin de Carvalho, 42. Lydia realizava pesquisas sobre a fauna pantaneira e viajava para Fazenda Barranco Alto, em Aquidauana.

Conforme explicações dadas por profissionais da área, os números 06 e 24 não representam pistas diferentes. Eles identificam os dois sentidos da mesma faixa de pousos e decolagens, conforme a orientação magnética. A cabeceira 06 aponta aproximadamente para 60 graus, enquanto a 24 está voltada para cerca de 240 graus.

Em geral, aeronaves decolam contra o vento, porque o fluxo de ar favorece a sustentação e pode reduzir a distância necessária para a saída do solo. Caso o vento realmente estivesse alinhado à cabeceira 24, o avião teria usado o sentido contrário, com possível vento de cauda.

Essa circunstância, porém, ainda não está comprovada. O vídeo da biruta não foi feito no momento exato da decolagem, mas cerca de dois minutos depois. A direção e a intensidade do vento podem ter mudado durante esse intervalo. A imagem também não permite, sozinha, determinar a força do vento ou calcular o impacto sobre o desempenho da aeronave.

O boletim afirma que testemunhas relataram neblina intensa no Aeroporto Santa Maria e ausência de condições para operações visuais. A situação teria provocado o cancelamento ou adiamento de outros voos previstos para aquela manhã.

Polícia apura se avião decolou com vento de cauda antes de cair
Destroços da aeronave bimotor modelo Seneca foram encontrados em área de mata após queda na manhã desta sexta-feira (Foto: Juliano Almeida/Arquivo)

Silvio Monteiro, coronel aviador da FAB (Força Aérea Brasileira) e piloto de aviões e helicópteros com mais de 35 anos de experiência na área de busca e salvamento, afirma que qualquer conclusão sobre possível erro na escolha da cabeceira seria prematura. Segundo ele, ainda será necessário descobrir quem eram as testemunhas, qual era o conhecimento delas sobre aviação e em que momento observaram a biruta.

Também será preciso verificar se a leitura ocorreu antes, durante ou depois da decolagem. “Essa é uma das muitas perguntas que a investigação do acidente deve responder. Qualquer um que afirmar isso neste momento está especulando”, ponderou.

Além do inquérito policial, o acidente é analisado pelo Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos). A investigação técnica deverá cruzar os vídeos com dados meteorológicos, características da aeronave, condições da pista e informações sobre a operação do voo.

Neblina e vento fraco – Outro piloto ouvido pela reportagem observou que a presença de neblina costuma estar associada a vento calmo ou de baixa intensidade. Caso essa condição seja confirmada, a diferença entre usar a cabeceira 06 ou a 24 pode ter tido influência pequena na decolagem.

Nesse cenário, a biruta mostraria uma direção predominante, mas não necessariamente um vento forte o suficiente para tornar inadequada a escolha feita pelo piloto.

Na avaliação dos profissionais consultados, a questão potencialmente mais grave era a baixa visibilidade. Um deles estimou que o teto de nuvens estava em aproximadamente 200 pés, cerca de 60 metros, condição que não permitiria uma decolagem normal pelas regras de voo visual.

A estimativa, contudo, ainda precisa ser comparada com registros meteorológicos oficiais.