Delay afasta "público raiz" do streaming e mantém a TV como favorita na Copa
Diferença no tempo de transmissão das partidas é principal motivo para escolha da boa e velha televisão

O atraso entre o momento em que um gol acontece e a imagem chega à tela voltou ao centro das discussões durante a Copa do Mundo de 2026. Com a popularização dos serviços de streaming e transmissões pela internet, emissoras de TV aberta iniciaram uma campanha para incentivar o uso de antenas compatíveis com o sinal digital, apontando que a tecnologia oferece uma transmissão mais rápida em comparação às plataformas online.
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Durante a Copa do Mundo de 2026, o atraso entre a transmissão ao vivo e a exibição nas telas voltou a ser debatido. Emissoras de TV aberta apontam que seu sinal digital apresenta delay de 4 a 5 segundos, enquanto plataformas de streaming podem atrasar até um minuto. Moradores de Campo Grande relataram preferir a TV para evitar o problema, especialmente nos jogos do Brasil. O Ministério das Comunicações mantém o programa Brasil Antenado, que distribui kits gratuitos a famílias cadastradas no CadÚnico.
A transmissão da TV aberta acontece por meio de ondas de rádio emitidas pelas torres das emissoras, captadas pelas antenas e convertidas em imagem e som pelos televisores. Embora também exista um pequeno atraso nesse processo, ele costuma ser menor do que o registrado nas transmissões online.

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Segundo as emissoras, o sinal da TV digital aberta apresenta atraso médio de quatro a cinco segundos. Já no streaming, o delay pode variar de 15 segundos a até um minuto, dependendo da plataforma, da qualidade escolhida e da conexão de internet.
Nas ruas da Capital, a maioria dos entrevistados pelo Campo Grande News afirmou que pretende assistir aos jogos do Brasil pela televisão, principalmente para evitar o chamado delay. Outros disseram que acompanharão as partidas pelo celular, devido ao trabalho, ou em eventos públicos, onde o convívio com amigos pesa mais do que alguns segundos de atraso.
O vendedor Ronald Moraes, de 37 anos, está entre os que não abrem mão da TV. Para ele, a diferença de tempo faz toda a diferença durante as partidas.
“Vou assistir pela televisão mesmo, é por causa do tempo de resposta. Se você assistir pelo streaming tem o delay né, principalmente na hora do gol, porque às vezes no streaming a resposta do gol é depois. Então às vezes você vê o vizinho comemorando o gol antes de você", comentou.
A percepção é compartilhada pelo pipoqueiro Isaque Barbosa, de 60 anos, que também pretende acompanhar os jogos em casa. “Eu acho mais rápido pela televisão, porque eu já assisti outros jogos pela internet, e tem vezes que você olha na televisão já foi e na internet ainda não saiu o gol. É meio esquisito”, destacou.
O vendedor ambulante Gabriel Espíndola, de 36 anos, pretende dividir a audiência entre as plataformas. Os jogos da Seleção Brasileira serão vistos pela TV, enquanto as demais partidas ficarão por conta da internet. “Os jogos do Brasil eu pretendo assistir na TV porque tem menos delay, mas os restantes serão todos no streaming, na internet, porque a Cazé TV fechou 114 jogos da Copa”, disse.
Já o vendedor ambulante Sergio Luiz Fernandes, de 33 anos, não terá escolha. Como estará trabalhando durante os jogos, pretende acompanhar a competição pelo celular. “Eu gosto muito de jogo, vou assistir pela internet porque pela televisão não tem como, que eu vou estar trabalhando. Não me importo muito com o delay, o importante é ver”.

O mesmo vale para o dedetizador John Lennon Ribeiro, de 34 anos, que pretende acompanhar as partidas em eventos com amigos. “Eu pretendo assistir no Altos da Afonso Pena, vou reunir a galera e a gente vai pra lá assistir o jogo. Não me importo com delay, pra mim não vai fazer diferença”, completou.
Um teste realizado pelo Canaltech durante a abertura da Copa constatou diferença de aproximadamente 15 a 20 segundos entre a transmissão da CazéTV, no YouTube, e a da Globo na TV aberta.
A explicação está na quantidade de etapas necessárias para que o conteúdo chegue ao usuário. Enquanto a TV aberta depende basicamente da transmissão e recepção do sinal, o streaming passa por servidores, sistemas de codificação, processamento e armazenamento temporário de dados antes de chegar ao dispositivo.
A diferença de velocidade levou emissoras de televisão a incentivar a população a utilizar antenas compatíveis com o sinal digital. Conforme o diretor executivo do SBT MS e vice-presidente regional do Midiacom MS (Associação de Emissoras de Rádio e Televisão do MS), Maurício Andreoli, a TV aberta digital é uma das formas mais rápidas de receber o sinal de televisão, ficando atrás apenas do rádio.
Além do menor atraso, as emissoras destacam a qualidade de imagem e som, a estabilidade durante eventos ao vivo e a gratuidade do serviço.
Paralelamente, o Ministério das Comunicações mantém o programa Brasil Antenado, que distribui kits gratuitos de parabólica digital para famílias inscritas no CadÚnico (Cadastro Único) em regiões com baixa cobertura de TV. Em Mato Grosso do Sul, moradores de Alcinópolis, Coronel Sapucaia, Figueirão e Paraíso das Águas podem solicitar os equipamentos.
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