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Cidades

Denúncia é 1º passo no combate a violência sexual de crianças, alerta ação

Voluntários pararam motoristas Centro de Campo Grande para alertar e conscientizar sobre Larnaja Amarelo

Por Fernanda Palheta e Geniffer Valeriano | 18/05/2024 12:29
Voluntários levantavam faixa ‘Uma hora = três crianças abusadas sexualmente no Brasil', em pedágio de conscientização a campanha Maio Laranja na Avenida Afonso Pena, neste sábado (18) (Foto: Paulo Francis)
Voluntários levantavam faixa ‘Uma hora = três crianças abusadas sexualmente no Brasil', em pedágio de conscientização a campanha Maio Laranja na Avenida Afonso Pena, neste sábado (18) (Foto: Paulo Francis)

A cada uma hora 100 denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes são registradas no Brasil através do Disque 100. Apesar do número alto, a conselheira tutelar Anna Caroline Kalache, que atua no 4º Conselho Tutelar na região do Bandeira, em Campo Grande, aponta a subnotificação, que o medo de denunciar ainda existe e dificulta a ação dos órgãos competentes.

“Precisamos que as denúncias cheguem. É importante dizer que as pessoas acham que precisam ter provas para denunciar, mas isso não é necessário. Se há o indício de abuso é preciso denunciar mesmo sem provas para que os órgãos competentes realizem a investigação", disse. Ela explica que as escolas são maiores porta de entrada das denúncias.

No dia de mobilização nacional pelo Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes voluntários pararam motoristas e pedestres no cruzamento da Avenida Afonso Pena com a Rua 14 de Julho, no Centro de Campo Grande, na manhã deste sábado (18), para alertar e conscientizar sobre a Campanha Maio Laranja.

A conselheira ressalta que os pais devem ficar atentos às mudanças de comportamento das crianças. “Não necessariamente precisa ter todos esses itens, mas se a criança começa a se isolar, ficar mais chorosa, rejeitar afeto físico e começa a ter comportamento diferente na escola ou mais sexual, ou demonstrar repúdio de ter contato alguma pessoa. É um sinal de alerta", detalha.

Ela orienta, que nestes casos os pais devem levar as crianças a profissionais capacitados para identificar se houve um abuso. "Perguntar por perguntar não adianta e pode gerar um trauma maior. É muito importante também acreditar na criança", completa Kalache.

Boneco de criança é usado para ensinar que adultos não podem tocar em partes intimas (Foto: Paulo Francis)
Boneco de criança é usado para ensinar que adultos não podem tocar em partes intimas (Foto: Paulo Francis)

Durante a ação do Conselho Tutelar com o programa 'Ajudar faz bem', levantavam faixas com as frases ‘Sabe aquela novinha? Nós chamamos de criança’ e‘Uma hora = três crianças abusadas sexualmente no Brasil. Não se cale, disque 100 e denuncie’. Também distribuíram balões laranjas para as crianças que estavam passando pelo local.

Nilla Maiza Alves, de 39 anos, é idealizadora do ‘Ajudar faz bem’. O programa realiza palestras e teatros para ensinar as crianças que adultos não podem tocar em suas regiões íntimas. Segundo ela, os dados mostram que 98% dos abusos sexuais acontecem em casas de pessoas conhecidas ou familiares da criança.

"Apenas 10% dos abusos são denunciados. Isso significa que 90% não são conhecidos pelas autoridades, o que dobraria a quantidade de denúncias. Muitos desacreditam das crianças e outras são ameaçadas pelos abusadores. Por isso não denunciam”, afirma. “Nós sabemos que não iremos mudar o mundo. A nossa intenção é despertar as pessoas para erguerem a voz e denunciarem”, disse.

Para Nilla, é necessário também uma mudança de comportamento dos pais, respeitando a vontade das crianças. "É importante dizer que não é não e que se a criança falou que não quer sentar no colo, beijar o rosto de parente é importante respeitar", finaliza.

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