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Cidades

Dona de empresa de publicidade que mora na Capital é alvo do Gaeco de RO

Depois de 4 horas em imóvel no Vilas Boas, equipe saiu com documentos e levou casal para prestar depoimento

Por Aline dos Santos e Viviane Oliveira | 19/02/2020 10:34
Gaeco fez buscas em sobrado no bairro Vilas Boas, durante apoio à operação de Rondônia. (Foto: Marcos Maluf)
Gaeco fez buscas em sobrado no bairro Vilas Boas, durante apoio à operação de Rondônia. (Foto: Marcos Maluf)
Segundo advogado Guilherme Garces, Gaeco apreendeu documentos. (Foto: Marcos Maluf)
Segundo advogado Guilherme Garces, Gaeco apreendeu documentos. (Foto: Marcos Maluf)

Moradora em Campo Grande, Anésia Ferreira Barbosa, 71 anos, se tornou alvo de operação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) de Rondônia por ser uma das proprietárias da empresa Atua Comunicação Ltda, com sede em Porto Velho, capital do Estado da região Norte.

De acordo com consulta à Receita Federal, Jaqueline Ferreira Barbosa Melgarejo também é sócia da empresa de publicidade. No ano de 2019, segundo informa o Portal da Transparência de Rondônia, a Atua Comunicação teve contrato de R$ 3.498,11, com dispensa de licitação. A empresa não tem registros de atuação com o poder público em Mato Grosso do Sul.

Nesta quarta-feira (dia 19), a equipe do Gaeco chegou cedo ao sobrado, no bairro Vilas Boas, residência de Anésia. Depois de quatro horas no imóvel, a equipe saiu do local levando um senhor no carro do Gaeco, enquanto a idosa foi levada pelo advogado Guilherme Garces.

De acordo com ele, não houve prisão e o casal vai prestar depoimento ao Gaeco. “Foi cumprido mandado de busca e apreensão da 4ª Vara Criminal de Porto Velho e apreendidos documentos”, afirma Garces. A operação Propagare é contra corrupção, peculato e organização criminosa.

Os casos investigados são relativos a serviços de publicidade do governo de Rondônia. Num “jogo de cartas marcadas”, havia participação de agências de publicidade de qualificação internacional, que não eram escolhidas nos processos por serem consideradas inaptas.

As contratações começaram em 2011 e os contratos foram aditivados ao longo do tempo. Conforme a investigação, os envolvidos direcionavam as licitações de publicidade para beneficiar a empresa investigada, que de forma ilícita, superfaturava e subcontratava outras empresas pertencentes a familiares.

O esquema envolve servidores públicos, empresas do ramo de publicidade e políticos. O Gaeco de Rondônia não divulgou o prejuízo, mas a estimativa é que ultrapasse milhões de reais. Nos últimos anos, as empresas investigadas receberam mais de R$ 120 milhões dos cofres públicos.

A operação tem apoio da Polícia Civil de Rondônia, Tribunal de Contas de Rondônia e Gaeco de Mato Grosso do Sul, Distrito Federal e São Paulo. Nome da operação, Propagare vem do latim e significa propaganda ou aquilo que se propaga.