Fim do Libanês traz boas lembranças dos carnavais no clube em 1970
Prédio que marcou gerações será transformado em cartório, mas frequentadores lembram as décadas de folia
A história do Clube Sírio Libanês pode ter chegado ao fim, mas as memórias feitas ali ficarão, principalmente para quem viveu ali dentro enxergando confete, serpentina e uma pista lotada durante os carnavais. O anúncio de que o prédio vai virar cartório trouxe, a quem não perdia uma festa, a nostalgia das antigas folias e a lembrança dos tempos em que a pista era lugar de esquecer os problemas, reatar relacionamentos ou arrumar novos amores.
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O tradicional Clube Sírio Libanês, em Campo Grande, encerrará suas atividades para dar lugar a um cartório. O espaço, que foi palco de memoráveis festas de Carnaval desde a década de 1970, marcou gerações com suas matinês familiares e noites de confete e serpentina. Entre as personalidades que contribuíram para a história do clube está Carlos Henrique, que aos 13 anos iniciou sua carreira como decorador carnavalesco no local. Roberto Higa, fotógrafo que documentou diversos momentos festivos, destaca que o ambiente era marcado pela alegria e novos romances. A reforma manterá elementos originais da construção, como escadas e pisos.
Carlos Henrique, de 63 anos, é um dos que lembram com carinho do espaço. Ele começou cedo a pular Carnaval e a gostar da festa. Aos 13, já trabalhava como vitrinista em Campo Grande. Em 1979, estreou no Carnaval como decorador de dois clubes ao mesmo tempo. Um deles era o Clube Libanês e o outro o Rádio Clube.
“Foi um escândalo. Era a minha primeira vez. O Carnaval na minha época era muito bacana porque tinha as matinês, onde as famílias levavam as crianças para curtir o Carnaval. Ainda não existiam blocos carnavalescos, mas algumas escolas de samba já. Foi em 1973 quando comecei realmente a gostar do Carnaval.”
Aos 16, ele foi para Salvador estudar na Escola de Belas Artes, trabalhou em um jornal e um cenógrafo francês descobriu o talento dele nas artes. Carlos ficou alguns anos na Bahia, depois seguiu para o Rio de Janeiro, onde mergulhou nas escolas de samba.
Voltou a Campo Grande depois de um tempo e retomou as decorações. Em 1997, desligou-se de vez da Cidade Morena e foi para São Paulo e Rio fazer o Carnaval. Hoje, mora em São Paulo, atua como cenógrafo e trabalha mais com fotografia e vídeo. Há 28 anos presta serviços para a Revista Caras.
“Fiz umas 4 vezes a decoração no Libanês e no Rádio Clube. Fui carnavalesco por vários anos com os carros alegóricos da Igrejinha. Era muito interessante. Quando eu voltei, atendi muitas áreas, vitrinismo, decoração de casa, loja, abriu o mercado demais em termos de eventos. Fiquei triste com a notícia de que o Libanês acabou e vai seguir outro caminho, mas feliz que vão preservar a fachada.”
Apesar da recordação, Carlos não tem registros do que fazia na época. Como não tinha celular ou máquina fotográfica, ficava “à mercê” das fotos oficiais de fotógrafos consagrados como Roberto Higa, que também não perdia uma festa de Carnaval.
Ao Lado B, ele conta que o Carnaval dos anos 1970 era uma festa em que todos participavam e cantavam as marchinhas.
“Era uma coisa com muita alegria, não só no Libanês como no Cruzeiro e Surian. Era uma festa em que a gente tinha alegria e esquecia por um tempo os nossos problemas e participava com todo amor e carinho que a gente pudesse levar para o salão, com namoradas ou sem, com amigo ou sozinho, a gente extravasava. Eu e Sandra participamos de todos os carnavais. Em 1976 foi o nosso primeiro. Eram 4 dias assim, esquecendo dos problemas.”
Roberto Higa foi, inclusive, homenageado em 2018 pela escola de samba Deixa Falar. Ele conta que, naquele ano, a escola foi campeã.
Confira a galeria de imagens:
“Eram os 40 anos do estado de Mato Grosso do Sul na época. Eu fui homenageado pela escola no samba-enredo. Naquele tempo não havia brigas, não se via isso. Lá eram amores que reatavam, novos amores que apareciam. Na época, era todo mundo jovem.”
O antigo Clube Libanês, com seus 1.290 metros quadrados, agora vai abrigar um cartório. Quem olha o muro verde já desbotado na Rua Dom Aquino talvez veja apenas desgaste, mas ele já foi bem mais que isso. A proposta é manter traços da construção original, como a escada, o formato das esquadrias e parte dos pisos. Uma tentativa de equilibrar passado e presente.
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