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Cidades

Em 3 meses, ex-secretário "liberou" R$ 15 milhões para empresa sob suspeita

Uma semana após assumir comando da Agesul, Rudi Fiorese "turbinou" em R$ 1,5 milhão contrato com investigada

Por Anahi Zurutuza | 13/05/2026 19:42
Em 3 meses, ex-secretário "liberou" R$ 15 milhões para empresa sob suspeita
Em primeiro plano, o ex-secretário de Obras, Rudi Fiorese, ao deixar Fórum da Capital após passar por audiência de custódia (Foto: Gabi Cenciarelli)

No intervalo de pouco mais de três meses em que comandou a Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos), o ex-secretário de Infraestrutura de Campo Grande, Rudi Fiorese, assinou empenhos, reajustes e aditivos que somam ao menos R$ 15,8 milhões em favor da Construtora Rial Ltda., empreiteira ligada a empresário preso na Operação “Buraco Sem Fim”, desencadeada pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) nesta terça-feira (12). O engenheiro, que chefiou a Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos) entre 2016 e 2023, também é investigado e está preso.

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Ex-secretário Rudi Fiorese assinou empenhos, reajustes e aditivos de R$ 15,8 milhões para a Construtora Rial Ltda. nos três meses em que comandou a Agesul. A empresa é ligada a empresário preso na Operação Buraco Sem Fim, que investiga fraudes em contratos de tapa-buraco em Campo Grande. Fiorese, também preso, foi demitido do cargo estadual um dia após a operação. Contratos municipais investigados somam R$ 113,7 milhões entre 2018 e 2025.

Fiorese assumiu o cargo de diretor-presidente do órgão estadual em 2 de fevereiro deste ano e o órgão oficializou sua demissão nesta quarta-feira (12), um dia após a operação que investiga um suposto esquema de fraudes em contratos de tapa-buraco na Capital sul-mato-grossense levá-lo à prisão preventiva (por tempo indeterminado).

A investigação aponta suspeita de manipulação de medições, pagamentos por serviços não executados e desvios de recursos públicos. Segundo o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), os contratos da Prefeitura de Campo Grande que passarão por pente-fino somam R$ 113,7 milhões entre 2018 e 2025.

As apurações do Gecoc não atingem contratações feitas pelo Governo de Mato Grosso do Sul, mas publicações no DOE (Diário Oficial do Estado) mostram que Fiorese assinou uma sequência de atos administrativos envolvendo a Rial entre fevereiro e maio deste ano. Entre eles, estão empenhos (quando o valor é reservado para pagamento) para manutenção de rodovias estaduais em Três Lagoas e Camapuã, além de liberações relacionadas à obra de drenagem e pavimentação do Bairro Otaviano Pereira, em Jaraguari.

Em fevereiro, foram autorizados valores de R$ 1,5 milhão, R$ 500 mil, R$ 622 mil, R$ 1,1 milhão, R$ 85 mil e R$ 1,2 milhão. Em março, novos empenhos somaram mais de R$ 6 milhões. Já em abril, a Agesul autorizou outro empenho de R$ 1 milhão para a obra de infraestrutura em Jaraguari.

O primeiro aditivo identificado após a posse de Fiorese no comando da Agesul foi assinado em 9 de fevereiro, apenas sete dias depois da nomeação oficial, e acrescentou R$ 1.515.539,73 ao contrato de manutenção rodoviária em Três Lagoas. O valor total do contrato passou de R$ 11,5 milhões para R$ 13 milhões. O documento foi assinado por Rudi Fiorese e pelo empresário Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa, dono da Rial e um dos presos na operação.

Além desse aditivo, Fiorese assinou outros termos de renovação excepcional de contratos de 2021 ligados à manutenção de vias em Camapuã e Três Lagoas. Os atos prorrogaram a atuação da empresa por mais 12 meses.

Somados, os contratos atualizados ligados à Rial alcançam R$ 27,7 milhões, embora os valores efetivamente pagos dependam da execução dos serviços e das etapas de liquidação financeira. Os R$ 15,8 milhões identificados pela reportagem correspondem a empenhos, reajustes e movimentações autorizadas durante a gestão de Fiorese na Agesul.

A Rial aparece no centro da investigação do Gecoc. Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa e o pai dele, Antônio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa, foram presos preventivamente na operação. Conforme o Campo Grande News mostrou, mais da metade dos R$ 429 mil em espécie apreendidos estavam na casa do empresário Antônio Roberto. Outra parte do dinheiro vivo (R$ 186 mil) foi encontrada na residência de Fiorese.

A operação também levou à prisão servidores ligados ao setor de tapa-buraco da Capital, incluindo o engenheiro Mehdi Talayeh e o gerente Edivaldo Aquino Pereira, posteriormente exonerados.

Outro lado - Os sete presos foram mantidos na prisão nesta quarta-feira (13) depois que o juiz  de custódia Francisco Soliman homologou os mandados e não analisou pedidos de liberdade.

Os advogados William Maksoud Machado e Ricardo Machado, que representam Antônio Bittencourt e Antônio Roberto, pai e filho, entraram com pedido de relaxamento de prisão. Alegaram que não tiveram acesso aos autos e, no caso do pai do empresário, ressaltaram a idade avançada, 70 anos, e estado de saúde.

A defesa de Rudi Fiorese encaminhou nota alegando que a prisão é "desarrazoada e não se coaduna com a história construída" pelo cliente. O advogado Werther Sibut de Araújo diz que ainda não teve acesso aos autos, o que o impede de exercer a ampla defesa, além de gerar risco de manutenção de prisões injustas e de castrar qualquer possibilidade de questionamento judicial da decisão que decretou a prisão. Para ele, a situação "já imporia a imediata liberdade dos investigados".

A reportagem consultou o Governo de MS, por meio da assessoria de imprensa, e aguarda retorno.