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Cidades

Esquema de cartel em licitações de materiais esportivos movimentou R$ 3 milhões

Alvos da operação estão em Campo Grande, Sidrolândia, Anastácio, Caarapó, Dourados, Mundo Novo e Jardim

Por Ana Paula Chuva e Bruna Marques | 28/10/2026 09:07
Esquema de cartel em licitações de materiais esportivos movimentou R$ 3 milhões
Dinheiro apreendido durante cumprimento de mandados nesta quarta-feira (Foto: Divulgação | MPMS)

Esquema de direcionamento e fraude em licitações voltadas à aquisição de materiais esportivos e uniformes para prefeituras do interior de Mato Grosso do Sul movimentou cerca de R$ 3 milhões em contratos públicos. Os envolvidos no esquema são alvos da Operação Trama Oculta, deflagrada na manhã desta quarta-feira (28) pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado).

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul deflagrou, nesta quarta-feira (28), a Operação Trama Oculta contra um esquema de fraude em licitações para compra de materiais esportivos e uniformes em prefeituras do interior do estado. Segundo as investigações, empresários atuavam como cartel, combinando preços para simular competição. Foram identificadas 15 licitações fraudadas, com cerca de R$ 3 milhões em contratos. Há ordens judiciais cumpridas em sete cidades, e uma arma sem registro foi apreendida. O caso tramita em segredo de Justiça.

As investigações apontam que o grupo de empresários atuava como um “cartel” para fraudar os processos licitatórios de itens esportivos, ajustando previamente os preços das propostas apresentadas nos pregões, simulando competição para elevar os valores dos contratos públicos.

Até o momento, foram identificadas 15 licitações fraudadas pelo grupo criminoso com contratos que chegam a aproximadamente R$ 3 milhões. As equipes cumprem as ordens judiciais em Campo Grande, Sidrolândia, Anastácio, Caarapó, Dourados, Mundo Novo e Jardim.

Ao todo, policiais cumprem 28 mandados de busca e apreensão e 14 medidas cautelares diversas da prisão. As investigações começaram com provas extraídas de um celular apreendido na Operação Malebolge, deflagrada em fevereiro de 2025.

Na manhã desta quarta-feira, equipes do BPChoque (Batalhão de Choque) da Polícia Militar e do Gaeco estiveram na casa do ex-secretário municipal e atual chefe do setor de Manutenção de Sidrolândia, Welbet José Biaggi Amorim, e da empresária Priscilla Depiné Struck. Durante as buscas em uma confecção de uniformes ligada a um dos alvos, as equipes policiais localizaram e apreenderam uma arma de fogo sem registro.

Em Campo Grande,  viaturas do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) deram apoio ao cumprimento de mandados de busca e apreensão em um prédio na Rua da Paz e em uma loja na Rua Sete de Setembro.

Ao Campo Grande News, o advogado Mário Ângelo Guarnieri Martins confirmou que agentes cumprem mandado de busca e apreensão no endereço comercial de seu cliente. De acordo com o defensor, a equipe jurídica acompanha os procedimentos no estabelecimento, mas ainda aguarda acesso ao teor integral da decisão judicial para avaliar os desdobramentos da medida.

"Nós estamos acompanhando. Até o momento a gente não tem ainda a decisão em mãos para entender a magnitude, o tamanho da operação, até por conta do sigilo da investigação. Neste momento, estamos fazendo o acompanhamento apenas do que está acontecendo para depois entender melhor e tomar as medidas cabíveis", declarou.

A defesa informou que o investigado não estava na loja durante a chegada dos policiais e reiterou que ainda não dispõe de detalhes sobre os alvos específicos, os tipos de materiais apurados ou quais entes públicos estariam vinculados às contratações sob suspeita.

As investigações da Operação Trama Oculta correm em segredo de Justiça, e as autoridades policiais e ministeriais devem divulgar balanço oficial das apreensões ao longo do dia.

Malebolge - Deflagrada em fevereiro de 2025, a Operação Malebolge desarticulou uma organização criminosa voltada a fraudes em licitações e desvios de recursos públicos na compra de uniformes e materiais escolares. A ofensiva inicial cumpriu 11 mandados de prisão preventiva e 39 de busca e apreensão, mobilizando equipes em Campo Grande, Água Clara, Rochedo e Terenos.

Segundo as investigações, um empresário articulava o esquema, cooptando servidores públicos para direcionar editais e simular concorrência por meio de empresas de fachada, gerando contratos que ultrapassavam R$ 10 milhões. Durante as vistorias, a Vigilância Sanitária chegou a interditar uma câmara frigorífica com alimentos vencidos e estragados em uma fornecedora ligada ao grupo.

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