Após áudio sobre envenenar água de indígenas, ministro aciona PF e apura ameaças
Eloy Terena detalhou que, depois do caso de Tacuru, Ministério recebeu denúncias sobre outros municípios

O Ministério dos Povos Indígenas encaminhou à Polícia Federal uma nota técnica sobre as ameaças contra comunidades indígenas de Tacuru, a cerca de 420 quilômetros de Campo Grande, após a divulgação de áudios em que dois homens sugerem envenenar a água consumida pela população. Ao Campo Grande News, o ministro Eloy Terena contou que a pasta também recebeu relatos de situações semelhantes em Amambai, Naviraí e na região de Sidrolândia.
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
O Ministério dos Povos Indígenas enviou à Polícia Federal uma nota técnica sobre ameaças contra comunidades de Tacuru, em Mato Grosso do Sul, após áudios em que dois homens sugerem envenenar a água consumida pelos indígenas. O ministro Eloy Terena afirmou que a pasta recebeu relatos semelhantes em Amambai, Naviraí e Sidrolândia. A Funai enviou uma equipe ao local. O prefeito confirmou que os dois são servidores municipais, pediu desculpas e não anunciou afastamento.
De acordo com o ministro, o Ministério dos Povos Indígenas e a Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) tomaram conhecimento do caso na segunda-feira (26) e iniciaram as providências para apurar as informações. Uma equipe da Funai foi mobilizada para ir até a comunidade, enquanto o Departamento de Mediação de Conflitos reuniu dados e elaborou o documento encaminhado à PF.
- Leia Também
- Prefeito pede perdão, mas não afasta servidores após áudios sobre indígenas
- Homem sugere envenenar água de indígenas após vitória de Lula em Tacuru
“Entendemos que essa é uma ameaça, uma violência muito forte contra uma comunidade indígena, porque você está incitando até mesmo um genocídio de uma comunidade indígena por conta de um posicionamento político”, afirmou Terena. O ministro também disse que conversou com representantes dos ministérios da Justiça, dos Direitos Humanos e da Igualdade Racial para estabelecer um fluxo de atendimento prioritário às denúncias.
Segundo o ministro, depois que o caso de Tacuru ganhou repercussão, outras comunidades começaram a encaminhar áudios, capturas de tela e mensagens compartilhadas em redes sociais e grupos de WhatsApp. A iniciativa prevê a criação de uma linha direta para receber esse material e facilitar o encaminhamento das denúncias aos órgãos responsáveis.
Caso - Em áudios trocados pelo WhatsApp após o resultado do segundo turno das eleições, dois homens reclamam da população indígena de Tacuru e um deles sugere envenenar a água consumida pelas comunidades.
“Já falei, tem que ‘ponhar’ veneno na água. Matar essas pragas na água”, diz um dos envolvidos. Na conversa, o outro afirma trabalhar diretamente com o secretário municipal de Infraestrutura, Wilmar Rodrigues, enquanto os dois reclamam de serviços prestados aos indígenas. A denúncia foi divulgada nas redes sociais da APIB (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil).
Após a repercussão do caso, o prefeito de Tacuru, Rogério Torquetti (PSDB), confirmou ao Campo Grande News que os dois homens são servidores municipais, lotados nas secretarias de Meio Ambiente e Infraestrutura. Ele classificou a situação como “uma vergonha”, mas disse que apenas chamou a atenção dos funcionários pelo episódio, atribuído por ele ao consumo de álcool e à euforia após a eleição.
Apesar da gravidade das declarações, o prefeito afirmou que os dois são bons servidores e não anunciou o afastamento deles. Por precaução, informou que designaria outro funcionário para realizar os serviços com caminhão-pipa que abastecem as comunidades indígenas, atividade sob responsabilidade de um dos envolvidos.
Rogério também publicou um vídeo em que aparece tomando tereré com uma indígena da comunidade Sassoró e pede desculpas a ela e aos demais moradores. Na gravação, o prefeito afirma que a água não tem veneno e atribui as declarações a uma manifestação ocorrida em meio à derrota eleitoral e ao consumo de álcool. “Nos perdoem, perdoem aqueles que gravaram o áudio se de certa forma ofendeu vocês”, declarou.

