Arqueólogos investigam vestígios históricos no Porto Geral de Corumbá
Levantamento conduzido por equipe da UFMS analisa potencial patrimonial na região portuária
Pesquisadores iniciaram estudo arqueológico no Porto Fluvial União, em Corumbá, no Pantanal de Mato Grosso do Sul, para identificar possíveis vestígios históricos antes de qualquer intervenção na área. O trabalho é conduzido pelo Laboratório de Arqueologia do Pantanal, da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul).
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Pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul iniciaram estudo arqueológico no Porto Fluvial União, em Corumbá, para identificar vestígios históricos antes de intervenções na área. O trabalho é coordenado pela professora Luana Campos e pela arqueóloga Rute de Lima Pontim. A região é considerada estratégica para compreender rotas comerciais, ocupação das minas de Cuiabá no século 18 e eventos como a Guerra do Paraguai. Os registros de presença humana podem ultrapassar 8 mil anos, e a preservação dos achados é fundamental para evitar perdas irreversíveis da história regional.
A pesquisa de campo é coordenada pela professora Luana Campos, com atuação da arqueóloga Rute de Lima Pontim, responsável pela avaliação técnica. Segundo a assessoria de imprensa da instituição, as atividades incluem vistoria, prospecção do solo e, caso haja achados, escavação e salvaguarda do material.
Conforme as pesquisadoras, a localização estratégica e a importância histórica da navegação no Rio Paraguai fazem do município um ponto-chave para compreender rotas comerciais, entradas para o interior do Brasil, a ocupação ligada às minas de Cuiabá no século 18 e episódios como a Guerra do Paraguai, além de registros de presença humana que podem ultrapassar 8 mil anos.
De acordo com Luana, os vestígios materiais ajudam a revelar aspectos da história que não aparecem em documentos escritos. “A materialidade permite acessar informações que muitas vezes não foram registradas ou foram produzidas com determinada intenção”, explica.

A avaliação de impacto arqueológico é prevista na Lei nº 3.924/1961, que estabelece que bens arqueológicos pertencem à União, e deve ocorrer antes de obras ou ocupações do solo. O procedimento envolve análise dos órgãos licenciadores e diálogo com o Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente) e o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). Em janeiro, o Iphan autorizou a realização de pesquisa arqueológica na área por meio de portaria, que deixa claro que a autorização concedida não equivale à licença ambiental nem representa a liberação definitiva do empreendimento.
Sem esse levantamento prévio, alertam as especialistas, há risco de perda irreversível de parte da história regional e latino-americana, situação já registrada em intervenções realizadas sem licenciamento adequado.
Quando não é possível preservar o material no próprio local, os achados podem ser retirados de forma controlada e encaminhados para guarda institucional, permanecendo disponíveis para pesquisa, educação patrimonial e visitação.
As pesquisadoras destacam que a preservação pode caminhar junto ao desenvolvimento urbano, agregando valor cultural, turístico e histórico aos empreendimentos, desde que o estudo arqueológico seja considerado já na fase inicial dos projetos.
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