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Cidades

Golpista que furtou R$ 3,6 mi de idosos ensinava “ganhar” dinheiro na internet

Filippe Barreto Sims se apresenta como especialista em tecnologia da informação e inteligência artificial

Por Jhefferson Gamarra | 03/03/2024 11:21
Perfil de um dos golpistas em uma rede social (Foto: Reprodução)
Perfil de um dos golpistas em uma rede social (Foto: Reprodução)

Preso por furtar quase R$ 3,6 milhões em criptomoedas de um casal de idosos de Campo Grande, Filippe Barreto Sims era ativo nas redes sociais onde se intitulava como “influenciador” e dava dicas de como ganhar dinheiro com inteligência artificial. Apenas no TikTok, o suspeito acumula mais de 30 mil seguidores e vídeos que ultrapassavam milhões de visualizações.

Nas redes sociais, o golpista se apresenta como “especialista em tecnologia da informação, inteligência artificial e empreendedorismo”. Sua principal propaganda apresentava uma “técnica secreta” para monetizar na internet criando anúncios através de variadas plataformas de inteligência artificial.

“Vou te ensinar a criar um TikTok com inteligência artificial para você monetizar e ganhar dinheiro aqui dentro. Essa técnica é secreta e com certeza vão tentar tirar esse vídeo do ar então salva esse vídeo curte e comenta e me siga para acompanhar mais dicas como essa”, disse o golpista em uma publicação que já passa de 1,6 milhão de visualizações. (veja abaixo)

O suspeito natural de Mato Grosso do Sul mantinha uma empresa em Campo Grande, mas que está inativa na Receita Federal. Já seu comparsa Jair do Lago Ferreira Júnior, que também foi preso por participar do golpe financeiro, é sócio de 4 empresas, uma em Campo Grande e outras três no Estado de Santa Catarina, diferente do comparsa, esse não mantinha perfis ativos nas redes sociais.

Segundo a investigação realizada pelo Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco e Assaltos e Sequestros), a dupla conseguiu as senhas das contas virtuais de idosos moradores de Campo Grande após fingirem que tinham uma amizade com o casal. Dessa maneira acessaram sites de criptomoedas, e furtaram ao todo R$ 3,6 milhões em moedas digitais das vítimas.

“Durante as investigações, ficou comprovado que os acusados abusaram da relação de confiança que tinham com as vítimas e aplicaram o golpe após conseguirem as palavras-chave de acesso das contas”, citou a Polícia Civil.

Com a investigação nas mãos, o Garras acionou o Ciberlab/MJSP (Núcleo de Operações com Criptoativos do Laboratório de Operações Cibernéticas) para auxiliar no rastreio dos ativos e identificação dos responsáveis. Mandados de busca e apreensão e prisão temporária foram cumpridos nas cidades de Osasco (SP) e Curitiba (PR) na Operação Verbum Clavis (palavra-chave) contra a dupla.

O coordenador do Ciberlab, Alesandro Barreto, ressaltou que os há desafios que a investigação policial enfrenta nesses casos, mas o núcleo ajuda a identificar a autoria e a materialidade delitiva. “É exatamente nesse contexto que o Ciberlab desempenha um papel crucial, oferecendo apoio às polícias judiciárias estaduais na identificação dos criptoativos utilizados pelos criminosos como parte integrante das atividades ilícitas", explicou.

No Brasil, a pena para quem pratica essas condutas varia de quatro a oito anos, no caso do furto qualificado somado à pena de um a três anos pela associação criminosa. A reportagem não conseguiu contato com a defesa dos acusados.

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