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Meio Ambiente

MS está entre maiores emissores de CO₂ e pecuária lidera, aponta relatório

Levantamento ajuda a explicar por que o Brasil ainda tem dificuldade de cumprir metas climáticas

Por Inara Silva | 17/03/2026 19:41
MS está entre maiores emissores de CO₂ e pecuária lidera, aponta relatório
Área arborizada em Campo Grande. (Foto: Osmar Veiga)

Mato Grosso do Sul  está entre os principais emissores de gases do efeito estufa no país, impulsionado sobretudo pela força da agropecuária, em especial, a pecuária bovina. O cenário é apontado pela nova edição do relatório do SEEG (Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa), que analisa dados de 2024.

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Mato Grosso do Sul figura entre os principais emissores de gases do efeito estufa no Brasil, com 45,2 milhões de toneladas de CO₂ equivalente no setor agropecuário, representando 7,2% das emissões nacionais. A pecuária é a principal responsável, devido ao metano liberado pelo rebanho bovino.O Brasil registrou queda de 16,7% nas emissões brutas em 2024, principalmente pela redução do desmatamento na Amazônia e no Cerrado. O governo federal lançou o Plano Clima, que visa reduzir entre 59% e 67% das emissões até 2035, com meta de zerar as emissões líquidas até 2050.

O estudo mostra que Mato Grosso do Sul responde por cerca de 45,2 MtCO2e (milhões de toneladas) de CO₂ (gás carbônico) equivalente apenas no setor agropecuário, o que representa 7,2% das emissões nacionais desse segmento.O índice coloca o Estado entre os seis maiores emissores do Brasil nessa área.

Conforme o levantamento, o maior emissor do Brasil é o estado de Mato Grosso, que  liberou 88,9 MtCO2e, o que corresponde a 14,2% nas emissões brasileiras do setor agropecuário. Em seguida vem o Estado de Goiás com 59,6 MtCO2 (9,5%), Minas Gerais com 59,2 MtCO2 (9,4%), Pará (8,8%) e Rio Grande do Sul (7,3%).

No recorte por estados, os maiores emissores em termos brutos em 2024 foram Pará (278 MtCO₂e), Mato Grosso (231 MtCO₂e), Minas Gerais (190 MtCO₂e) e São Paulo (145 MtCO₂e). Já na análise das emissões líquidas, a composição do ranking se mantém, mas com mudança na liderança: Mato Grosso assume a primeira posição, com 172 MtCO₂e, enquanto o Pará passa a ocupar o segundo lugar, com 111 MtCO₂e.

MS está entre maiores emissores de CO₂ e pecuária lidera, aponta relatório
Emissões agropecuárias por Estados em 2024.

Pecuária - O relatório aponta que a principal fonte dessas emissões é o metano liberado pelo rebanho bovino, resultado da fermentação entérica, ou seja, o processo digestivo natural dos animais, mas altamente poluente. “A pecuária sozinha responde por 51% das emissões brutas, sendo nosso principal fator individual de poluição climática”, relata o documento.

A pesquisa ressalta que, nesse contexto, estados do Centro-Oeste, como MT, GO e MS, ganham relevância estratégica. A combinação de grande rebanho, expansão de áreas produtivas e presença do bioma Cerrado ajuda a explicar o peso regional.

O próprio relatório destaca que o Cerrado lidera as emissões no setor agropecuário no país. Como boa parte do território sul-mato-grossense está inserida nesse bioma, o dado ajuda a dimensionar o papel do Estado no cenário nacional.

Queda nacional - A divulgação do relatório trouxe uma informação positiva ao destacar que o Brasil registrou queda de 16,7% nas emissões brutas de gases de efeito estufa, principalmente por causa da redução do desmatamento, especialmente na Amazônia e no Cerrado, onde as emissões por mudança de uso da terra recuaram 32,5%.

Foram emitidas um total de  2,145 bilhões de toneladas de CO₂, a segunda maior redução da série histórica iniciada em 1990. Apesar do recuo, o cenário ainda revela fortes desigualdades regionais.

MS está entre maiores emissores de CO₂ e pecuária lidera, aponta relatório
Emissões de gases de efeito estufa no Brasil por setores (1990-2024)

Nos estados da Amazônia, por exemplo, a combinação de baixa densidade populacional com altos índices de emissão faz com que os números per capita se aproximem, ou até superem, os de países desenvolvidos.

A queda mais expressiva foi registrada no Pantanal, onde as emissões recuaram 66%. Conforme o relatório, o resultado está ligado ao reforço das ações de fiscalização e controle após o bioma enfrentar, em 2023, a pior estiagem de sua história, período em que as emissões haviam disparado quase 70%.

Para 2025, a projeção do Observatório do Clima indica que o Brasil deve ficar aquém da meta climática assumida no Acordo de Paris, com estimativa de 1,44 bilhão de toneladas de CO₂ equivalente, cerca de 9% acima do limite previsto.

Esforços - A avaliação dos pesquisadores é de que o país ainda concentra seus esforços quase exclusivamente no combate ao desmatamento, deixando em segundo plano setores como energia e indústria. Nesse cenário, órgãos ambientais seguem como protagonistas na redução das emissões, enquanto outras áreas da economia avançam de forma mais lenta.

Diante desse desafio, o governo federal lançou nesta semana o Plano Clima, que estabelece diretrizes para a transição do país rumo a uma economia de baixo carbono. A meta é reduzir entre 59% e 67% das emissões até 2035, com o objetivo final de zerar as emissões líquidas até 2050.

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