MS está entre maiores emissores de CO₂ e pecuária lidera, aponta relatório
Levantamento ajuda a explicar por que o Brasil ainda tem dificuldade de cumprir metas climáticas
Mato Grosso do Sul está entre os principais emissores de gases do efeito estufa no país, impulsionado sobretudo pela força da agropecuária, em especial, a pecuária bovina. O cenário é apontado pela nova edição do relatório do SEEG (Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa), que analisa dados de 2024.
RESUMO
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O estudo mostra que Mato Grosso do Sul responde por cerca de 45,2 MtCO2e (milhões de toneladas) de CO₂ (gás carbônico) equivalente apenas no setor agropecuário, o que representa 7,2% das emissões nacionais desse segmento.O índice coloca o Estado entre os seis maiores emissores do Brasil nessa área.
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Conforme o levantamento, o maior emissor do Brasil é o estado de Mato Grosso, que liberou 88,9 MtCO2e, o que corresponde a 14,2% nas emissões brasileiras do setor agropecuário. Em seguida vem o Estado de Goiás com 59,6 MtCO2 (9,5%), Minas Gerais com 59,2 MtCO2 (9,4%), Pará (8,8%) e Rio Grande do Sul (7,3%).
No recorte por estados, os maiores emissores em termos brutos em 2024 foram Pará (278 MtCO₂e), Mato Grosso (231 MtCO₂e), Minas Gerais (190 MtCO₂e) e São Paulo (145 MtCO₂e). Já na análise das emissões líquidas, a composição do ranking se mantém, mas com mudança na liderança: Mato Grosso assume a primeira posição, com 172 MtCO₂e, enquanto o Pará passa a ocupar o segundo lugar, com 111 MtCO₂e.
Pecuária - O relatório aponta que a principal fonte dessas emissões é o metano liberado pelo rebanho bovino, resultado da fermentação entérica, ou seja, o processo digestivo natural dos animais, mas altamente poluente. “A pecuária sozinha responde por 51% das emissões brutas, sendo nosso principal fator individual de poluição climática”, relata o documento.
A pesquisa ressalta que, nesse contexto, estados do Centro-Oeste, como MT, GO e MS, ganham relevância estratégica. A combinação de grande rebanho, expansão de áreas produtivas e presença do bioma Cerrado ajuda a explicar o peso regional.
O próprio relatório destaca que o Cerrado lidera as emissões no setor agropecuário no país. Como boa parte do território sul-mato-grossense está inserida nesse bioma, o dado ajuda a dimensionar o papel do Estado no cenário nacional.
Queda nacional - A divulgação do relatório trouxe uma informação positiva ao destacar que o Brasil registrou queda de 16,7% nas emissões brutas de gases de efeito estufa, principalmente por causa da redução do desmatamento, especialmente na Amazônia e no Cerrado, onde as emissões por mudança de uso da terra recuaram 32,5%.
Foram emitidas um total de 2,145 bilhões de toneladas de CO₂, a segunda maior redução da série histórica iniciada em 1990. Apesar do recuo, o cenário ainda revela fortes desigualdades regionais.
Nos estados da Amazônia, por exemplo, a combinação de baixa densidade populacional com altos índices de emissão faz com que os números per capita se aproximem, ou até superem, os de países desenvolvidos.
A queda mais expressiva foi registrada no Pantanal, onde as emissões recuaram 66%. Conforme o relatório, o resultado está ligado ao reforço das ações de fiscalização e controle após o bioma enfrentar, em 2023, a pior estiagem de sua história, período em que as emissões haviam disparado quase 70%.
Para 2025, a projeção do Observatório do Clima indica que o Brasil deve ficar aquém da meta climática assumida no Acordo de Paris, com estimativa de 1,44 bilhão de toneladas de CO₂ equivalente, cerca de 9% acima do limite previsto.
Esforços - A avaliação dos pesquisadores é de que o país ainda concentra seus esforços quase exclusivamente no combate ao desmatamento, deixando em segundo plano setores como energia e indústria. Nesse cenário, órgãos ambientais seguem como protagonistas na redução das emissões, enquanto outras áreas da economia avançam de forma mais lenta.
Diante desse desafio, o governo federal lançou nesta semana o Plano Clima, que estabelece diretrizes para a transição do país rumo a uma economia de baixo carbono. A meta é reduzir entre 59% e 67% das emissões até 2035, com o objetivo final de zerar as emissões líquidas até 2050.
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