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Cidades

Grupo alvo da Operação Ifrit movimentou pelo menos meio bilhão em 2 anos

Esquema usava empresas de fachada e negócios simulados para ocultar a origem de recursos

Por Marta Ferreira de Jesus | 04/11/2026 08:42

A organização criminosa investigada pela Operação Ifrit, que foi às ruas esta manhã, movimentou pelo menos R$ 500 milhões em aproximadamente dois anos, por meio do tráfico internacional de drogas e armas, segundo informações divulgadas pela Receita Federal, que desenvolve a ação junto com a PF (Polícia Federal). A investigação aponta que o grupo utilizava empresas de fachada e negócios simulados para ocultar a origem do dinheiro.

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A Operação Ifrit, da Polícia Federal e da Receita Federal, cumpre 76 mandados de busca e apreensão em sete estados contra uma organização criminosa que movimentou ao menos R$ 500 milhões em cerca de dois anos com tráfico internacional de drogas e armas. O grupo, comandado por três irmãos e familiares, usava empresas de fachada, tinha vínculos com facções e apoio de agentes públicos. Drogas vinham de Bolívia, Paraguai e Peru e seguiam em parte para a Europa.

Estão sendo cumpridos 76 mandados de busca e apreensão em sete estados, expedidos pela 3ª Vara Federal de Campo Grande. A ação mobiliza 450 policiais federais, 22 auditores-fiscais e sete analistas tributários da Receita Federal.

Segundo os investigadores, a organização era comandada por um núcleo familiar formado por três irmãos, seus filhos e outros parentes. A estrutura também contava com operadores financeiros, responsáveis pelo transporte de mercadorias ilegais e integrantes encarregados da segurança armada.

Grupo alvo da Operação Ifrit movimentou pelo menos meio bilhão em 2 anos
Armamento apreendido durante a operação Isfrit (Foto: divulgação)


As investigações identificaram movimentações financeiras superiores a R$ 500 milhões em aproximadamente dois anos. Os valores teriam passado por contas bancárias de investigados, empresas de fachada e operações comerciais fictícias, utilizadas para dificultar o rastreamento dos recursos.

A Receita Federal identificou indícios de lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e utilização de terceiros para movimentar valores. As suspeitas foram identificadas por meio de análises fiscais, bancárias e patrimoniais, além de interceptações e outras medidas autorizadas pela Justiça.

Empresário na fronteira – Um dos alvos da operação é Adel Hassan Haidar, empresário de Ponta Porã. Ele consta em registros empresariais como sócio-administrador da Adel Hassan Haidar Ltda., empresa que utiliza o nome fantasia Residencial Nossa Senhora e atua no setor de hospedagem.

A participação específica atribuída ao empresário na organização investigada não foi detalhada nas informações divulgadas até agora.

Rota internacional - Pelo que já ficou público, drogas e armamentos eram adquiridos principalmente na Bolívia, no Paraguai e no Peru. As cargas entravam no Brasil pela faixa de fronteira de Mato Grosso do Sul e seguiam para diferentes municípios do Estado e para São Paulo, Paraná e Santa Catarina.

A organização também destinava parte dos entorpecentes ao mercado europeu e usaria o território brasileiro como ponto de armazenamento, transporte e envio de drogas, principalmente para Espanha e Portugal.

A estrutura investigada teria atuação permanente desde pelo menos 2018, com ramificações em diferentes estados brasileiros e no exterior.

Poder bélico e agentes públicos - A PF e a Receita Federal identificaram indícios de que a organização mantinha vínculos com facções criminosas e contava com a colaboração de agentes públicos. Esses servidores teriam fornecido informações estratégicas e apoio às atividades ilegais.

O grupo também utilizava armamentos pesados, drones, equipamentos de comunicação, veículos blindados e mantinha QGs (Quartéis-Generais) destinados a abrigar integrantes armados. Conforme as descobertas da investigação, o grupo criminoso adotava medidas para proteger suas lideranças, dificultar a atuação policial e manter o controle de áreas estratégicas na fronteira.

Ao longo da apuração, foram feitas apreensões de drogas, armas e munições relacionadas a integrantes do grupo em diferentes estados. Os investigadores também identificaram episódios de violência associados à atuação da organização.

Sete estados – Os 76 mandados de busca e apreensão são cumpridos em Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, São Paulo, Paraná, Rondônia, Goiás e Santa Catarina.

A fase de campo é resultado de uma investigação que reuniu quebras de sigilo bancário, fiscal e telemático, análises patrimoniais e financeiras, interceptações e diligências de campo.

Além de interromper as atividades da organização, a operação busca identificar e responsabilizar os envolvidos e apreender bens e valores que possam ter origem criminosa.

Os alvos são suspeitos de participação em organização criminosa, tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, corrupção e outros crimes  correlatos.

Grupo alvo da Operação Ifrit movimentou pelo menos meio bilhão em 2 anos
Arte divulgada pela Receita Federal mostra caminho usado pelo grupo criminoso (Foto: Reprodução/RF)