Investigador preso na Operação Infiltrados tem Mustang apreendido pela PF
Douglas Tobias teve a prisão preventiva revogada na terça-feira e foi alvo de busca nesta quarta-feira
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A Polícia Federal cumpriu nesta quarta-feira (4) 76 mandados de busca contra organização ligada ao PCC e ao PGC, com alvos em sete estados. O investigador Douglas Tobias, preso na Operação Infiltrados, teve a casa vasculhada e um Mustang de R$ 370 mil apreendido. A defesa diz que ele nada tem a esconder. A PF afirma que o grupo, liderado por um núcleo familiar, tinha agentes públicos e atuava no tráfico de armas e drogas.
O investigador da Polícia Civil Douglas Tobias, preso na Operação Infiltrados, voltou a ser alvo de mandados de busca e apreensão nesta quarta-feira (4), desta vez, na operação Ifrit. A ação foi deflagrada pela Polícia Federal e ao todo são cumpridas 76 ordens judiciais contra organização ligada ao PCC (Primeiro Comando da Capital) e ao PGC (Primeiro Grupo Catarinense).
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Segundo apurou o Campo Grande News, os agentes da PF estiveram na residência do investigador no Condomínio Alphaville, de onde levaram um Ford Mustang Shelby GT500 avaliado em R$ 370 mil, registrado em nome da empresa da esposa de Douglas.
O automóvel já vinha sendo monitorado pelas autoridades devido a movimentações financeiras atípicas e sinais de evolução patrimonial incompatível com os rendimentos do servidor público.
Conforme a denúncia do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) na Operação Infiltrados, a esposa do investigador, Jheth Jeanne Rodrigues Mundim Donalonso Tobias, relatou que o patrimônio do casal inclui uma residência de alto padrão avaliada em aproximadamente R$ 4 milhões e diversos veículos, além do Mustang.
À reportagem, o advogado Luiz Renê Gonçalves, que atua na defesa de Douglas, explicou que na terça-feira (3), foi concedida a revogação da prisão preventiva contra o investigador por conta da Operação Infiltrados e na ação de hoje o defensor acompanhou as buscas na residência do servidor.
"Mas ainda não tivemos acesso aos autos da medida cautelar e do inquérito, logo não temos condições de manifestar sobre o caso. De todo modo, Douglas Tobias mais uma vez demonstrou se tratar de pessoa idônea, profissional exemplar e nada tem a esconder, estando à disposição para prestar esclarecimentos e esperando que se faça justiça", explicou o advogado.
Operação Ifrit - Além de Douglas, outros dois policiais civis, policial militar e policial rodoviário federal, são alvos da ação que visa combater o tráfico transnacional de armas e drogas. São cumpridas medidas judiciais em Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso, Goiás e Rondônia. Ao todo são 76 mandados de busca e apreensão, 25 mandados de prisão preventiva, 1 mandado de prisão temporária, além de 3 medidas de monitoração eletrônica.
Segundo a PF, as investigações apontam que a organização criminosa transnacional era liderada por um núcleo familiar e contava com a participação ativa de agentes públicos das forças de segurança, incluindo policiais civis e militares de Mato Grosso do Sul, além de um policial rodoviário federal.
O grupo é investigado por crimes graves, como tráfico transnacional de drogas, tráfico internacional de armas, lavagem de dinheiro, além de homicídios, sequestros, torturas e atentados. Para exercer controle territorial e intimidar facções rivais, a quadrilha utilizava armamento pesado, estruturas logísticas de apoio e veículos blindados.
Ainda segundo apuração jornalística, o empresário Adel Hassan Haidar, de Ponta Porã, integrante de uma família conhecida na região de fronteira com o Paraguai, também está entre os alvos da operação.
Adel atua no setor empresarial em Ponta Porã. Conforme registros cadastrais, ele é sócio-administrador da empresa Adel Hassan Haidar Ltda., que utiliza o nome fantasia Residencial Nossa Senhora. A empresa, aberta em maio de 2001, tem como atividade principal o setor de hospedagem, além de atividades cadastradas no comércio de veículos.
Embora o nome do empresário tenha sido confirmado pela reportagem, entre os alvos da operação, ainda não há informações sobre qual participação específica é atribuída a ele, nem sobre a natureza da medida judicial dirigida ao seu nome. A Polícia Federal também não informou se houve prisão do empresário.
Confira a galeria de imagens:
Infiltrados - A ação cumpriu 64 ordens judiciais, sendo 24 de prisão preventiva, duas de prisão temporária e 38 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos. As investigações começaram no final de 2025 após suspeitas de que parte expressiva das cargas de entorpecentes interceptadas em operações acabava "desaparecendo" dos depósitos ou sendo substituída antes da incineração oficial.
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