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Cidades

Longe da família, libaneses em MS dizem que explosão deixa o amanhã nebuloso

Ainda não se sabe o que motivou o incidente ocorrido na área portuária de Beirute e que deixou pelo menos 10 mortos

Por Tainá Jara | 04/08/2020 16:38
Explosão em Beirute, no Líbano, deixou pelo menos 50 mortos e milhares de feridos (Foto: Reprodução Redes Sociais)
Explosão em Beirute, no Líbano, deixou pelo menos 50 mortos e milhares de feridos (Foto: Reprodução Redes Sociais)

O corpo pode estar aqui, mas é inevitável lembrar onde o coração bate quando explosão de grandes proporções atinge o país onde vivem familiares e conhecidos, mesmo que seja em outro continente.

No início da tarde desta terça-feira, após tragédia ocorrida em Beirute, a aflição tomou conta dos libaneses e descendentes que vivem em Campo Grande. Saber que a família está bem alivia, mas a falta de explicações sobre os motivos do incidente deixa temor quanto ao futuro.

São pelo menos 50 mortos e milhares de feridos, de acordo com a Agência Reuters. A explosão começou em um armazém na área portuária da capital do Líbano, levantando bolas de fogo e colunas de fumaças gigantescas. Construções a quilômetros de distância tiveram a estrutura afetada pela força dos tremores.

Ainda não se sabe ao certo o que motivou o incidente em local com material altamente explosivos e se a explosão foi proposital ou não. É justamente não ter respostas deste tipo que deixa a colônia libanesa de Mato Grosso do Sul apreensiva.

O empresário, Kassem Abughaddara, 54 anos, na Pedra do Rawshe, ponto turístico do Líbano (Foto: Arquivo Pessoal)
O empresário, Kassem Abughaddara, 54 anos, na Pedra do Rawshe, ponto turístico do Líbano (Foto: Arquivo Pessoal)

Mesmo quem deixou o País há 30 anos não para de pensar na terra natal diante de tragédias como esta. O empresário, Kassem Abughaddara, de 54 anos, falou com os familiares que moram no sul do Líbano e estão seguros, porém, a falta de explicações deixam qualquer um aflito.

“Ainda não sabe o motivo, até porque estão preocupados em salvar os feridos. Teve muita destruição”, afirma. Segundo ele, os parentes afirmaram que há hospitais da Capital que chegam a atender 500 pessoas de uma só vez. O ministro da Saúde, Hamad Hassan, fala em pelo menos 50 mortos e 2.750 feridos.

A tia de do empresário, Paco Kawijean, 47 anos, que mora em Beirute, comparou a explosão à “Bomba de Hiroshima”, série de bombardeamentos contra as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki pelos Estados Unidos, durante os estágios finais da Segunda Guerra Mundial, em agosto de 1945. “De qualquer lugar da cidade era possível ver a explosão”, conta

O empresário explica que o País vive um momento de tensão diante da falta de explicações quanto aos incidentes. “Estamos meio apreensivos, porque o alvo foi logo um o depósito de fogos de artifício? É muito bizarro uma coisa dessas acontecer. O que o Líbano estava fazendo com tantos fogos de artifício? Não se sabe exatamente”.

Kawijean relembra as suposições quanto ao assassinato do ex-primeiro ministro libanês, Rafiki Hariri, em 2005, pai do ex-premiê Saad Hariri, cuja residência fica próxima aos locais da explosão. Nesta semana, esta prevista a divulgação do veredito de um tribunal apoiado pela ONU (Organização das Nações Unidas) contra quatro homens acusados de serem participado do assassinato.

Sem respostas, o temor continua e atormenta também quem está longe. “A gente está feliz que os familiares estão bem, mas também está preocupado com o que vai vir. Com o dia de amanhã”, afirma.

Veja vídeo da explosão:


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