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Cidades

Mandetta cita MS como Estado que mais preocupa por falta de leitos de UTI

Ministro comentou que equipamentos previstos para montar mais leitos não virão

Por Maristela Brunetto e Marta Ferreira | 03/04/2020 17:44
Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, explica situação no Estado (Foto: Reprodução)
Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, explica situação no Estado (Foto: Reprodução)

Mato Grosso do Sul é um dos estados que preocupa quanto ao atendimento de vítimas do novo coronavírus, segundo afirmou nesta tarde o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, na coletiva diária que faz para falar da pandemia. Mandetta afirmou que o temor se deve ao fato de o estado ter alto indice de ocupação de leitos de UTI, necessários para os doentes cujo quadro se agrava em razão do vírus.

De acordo com ele, havia previsão de destinação de mais leitos do tipo para o Estado, mas isso não acontecerá devido a problemas ocorridos na aquisição dos equipamentos e, consequentemente, distribuição no Brasil.

Levantamento nacional divulgada esta semana aponta a estrutura sul-mato-grossense como a de maior taxa de ocupação nos leitos de terapia intensiva.

Mandetta não falou em números, mas a informação já divulgada pela Secretaria de Saúde do Estado é de que eram aguardados 10 leitos, para ativação no Hospital Regional de Campo Grande, unidade de referência da doença.

Cenário complexo - Mandetta tem comentado em suas coletivas desta semana o fato de os países com Estados Unidos estarem ficando com os equipamentos do tipo. Como tem acentuado, o agravamento da epidemia da Covid-19 no Ocidente trouxe uma preocupação adicional às autoridades nos últimos dias em vários países.

 Os EUA (Estados Unidos da América), principal economia do mundo, se adiantaram, mandaram dezenas de aviões cargueiros à China e compraram o quanto conseguiu em estoques de equipamentos de proteção individual (máscaras, luvas e jalecos), medicamentos, testes da doença e aparelhos hospitalares, como respiradores. Conforme se noticia na imprensa, pelo menos Brasil, Canadá e França foram fortemente prejudicados nas compras que já haviam acertado.

Na semana passada, o ministro  já alertava para a preocupação de que poderia haver disputa nas compras e sugeria que a OMS (Organização Mundial da Saúde) entrasse como uma mediadora nessa que se tornou uma economia de guerra. Ainda não se sabe a dimensão do prejuízo nas compras brasileiras, mas hoje o ministro reconheceu que o problema já repercute.

Constatado o poder financeiro da potência americana e a demanda gerada por vários países ao mesmo tempo buscando os mesmos produtos, Mandetta, nos últimos dias, tem lamentado o mundo ter permitido que insumos tão importantes acabassem tendo sua produção concentrada em tão poucos países. Por outro lado, disse que atualmente não há falta de materiais para os estados e municípios, anunciando essa semana a expectativa de receber mais 8 mil respiradores adquiridos na China.

O cenário renova uma preocupação que antes parecia somente inicial, que duraria dias até a reposição de estoques: a da falta de materiais para os atendimentos nos serviços de saúde.

O secretário estadual de Saúde, Geraldo Rezende, diz que “estamos chegando na situação em que se tem o dinheiro mas não tem a mercadoria”. Ele conta que espera a entrega de equipamentos para ativar dez leitos de UTI. Estados e prefeituras vinham fazendo as próprias compras, mas o Ministério decidiu por centralizar tudo para depois organizar a distribuição.

Rezende considera que a atitude foi acertada, mas prejudicou as unidades e agora há o risco de não haver a entrega. “Eu espero que nos próximos dias seja normalizado”. Ele reconhece que hoje a tarefa de localizar e comprar equipamentos, testes, materiais é uma verdadeira garimpagem. “Cada dia a gente fica mais angustiado”, resume.