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Cidades

Médico defende quarentena seletiva e diz que população precisa criar anticorpos

Luiz Ovando diz que isolamamento social para todos vai retardar ainda mais a pandemia da doença

Por Marta Ferreira | 26/03/2020 12:05
Ovando diz que a população saudável tem de criar anticorpos contra o coronavírus. (Foto: Reprodução Facebook)
Ovando diz que a população saudável tem de criar anticorpos contra o coronavírus. (Foto: Reprodução Facebook)

O médico e deputado federal Luiz Ovando, 70 anos, defende a flexibilização da quarentena adotada por prefeitos e governadores para tentar frear a pandemia de novo coronavírus. Em vídeo, explica porque  sugere o fim do isolamento social e a adoção de medidas restritivas de circulação apenas para os contaminados, os idosos e  pessoas imunodeprimidas.

Ao começar a gravação, Ovando explica sua credencial para opinar.  “Sou médico há 45 anos, clínico, cadiologista, geriatra, intensivista, especializado em Medicina Esportiva, ecocardiografista e pós-graduado na universidade americana de Minnesota”.

“O Brasil tem 211 milhões de habitantes, 69% da população está entre 20 e 59 anos de idade. Isso significa 146 milhões de habitantes”, cita. O médico prossegue lembrando que “88,46% da população está abaixo de 60 anos, ou seja, 186 milhões, a força de trabalho máxima está aí”.

Ovando relembra, também, que 11,54% da população está acima de 60 anos, 4% acima dos 70 anos, já fora da atividade econômica. “O perfil epidemiológico da doença é o que a gente precisa concentrar”.

Os números são citados para explicar que não faz sentido confinar pessoas entre 20 e 59 anos, faixa com baixa letalidade por coronavírus. No Brasil, é de 1,55% até agora.

 Em relação ao propalado risco de disseminação do vírus por essas pessoas, usado por autoridades para sustentar as medidas restritivas de circulação, Ovando afirma que o microorganismo já está no País e, agora, só quando metade da população for infectada a pandemia vai retroceder.

Na visão do médico, não adianta mais fazer barreira física, que deveria ter sido adotada antes de o vírus chegar, fechando portos e aeroportos. Agora, argumenta “só retarda a disseminação do vírus, que se faz necessário para adquirir imunidade”. Segundo ele, no período de 10 a 15 dias o corpo cria as próprias barreiras.

Confira abaixo o vídeo.



Conforme a leitura, agora o bloqueio tem que ser biológico. O médico defende “isolar idosos e imunocomprometidos” e deixar que o restante da população volte às suas atividades e crie anticorpos contra a doença.

O médico declara que as internações de idosos, os mais suscetíveis à doença, poderão provocar situação ainda pior, por não serem sempre “benéficas”.  Ele argumenta que idosos são pessoas com mais morbidades, e que podem morrer em decorrência dela ou de males contraídos nos hospitais, e o “corona levar a culpa”, sem que haja investigação adequada.

Ainda de acordo com a análise do profissional de Medicina, a linha de frente do combate à doença não vai oferecer segurança, por se tratar de “médicos jovens, ainda inexperientes”.

“Ir ao hospital é mais perigoso que viajar de avião”, afirma, citando a OMS (Organização Mundial de Saúde). “No Brasil a cada 3 minutos, dois brasileiros morrem devido a erro que deveriam ser evitados”, relaciona. “Imagina com hospital de campanha”, diz o deputado.

Em seu depoimento, Ovando estima que, se for adotado o isolamento vertical, apenas para grupos de risco, “no máximo em dois meses” a crise estaria resolvida. Com a forma que vem sendo escolhida, diz, a situação vai perdurar até setembro, no mínimo.

Para Ovando, o fechamento de empresas e a determinação de que a força produtiva fique em casa vai levar o Brasil ao “retrocesso”, à “bancarrota” , “ao colapso econômico” e a uma “falência global”.

“Nós precisamos retomar a atividade econômica”, encerra.