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Cidades

Menos da metade das famílias autoriza doação de órgãos de parentes

De 222 mortes cerebrais, em 119 casos havia possibilidade de doação, no entanto, somente 51 famílias autorizaram a captação

Por Lucia Morel | 12/01/2021 18:47
Somente na Santa Casa foram 113 casos, com 67 situações aptas à doação e 34 coletas de órgão realizadas, correspondendo a 50% dos casos passíveis de doação. (Foto: Divulgação Santa Casa)
Somente na Santa Casa foram 113 casos, com 67 situações aptas à doação e 34 coletas de órgão realizadas, correspondendo a 50% dos casos passíveis de doação. (Foto: Divulgação Santa Casa)

Menos da metade dos pacientes que tiveram morte encefálica em 2020 em Mato Grosso do Sul obtiveram autorização da família para serem doadores de órgão. Os dados são da OPO (Organização de Procura de Órgãos), da Santa Casa de Campo Grande, que busca potenciais doadores nos hospitais de Campo Grande, Três Lagoas e Dourados.

Nessas três cidades, de 222 mortes cerebrais, em 119 casos havia possibilidade de doação, no entanto, somente 51 famílias autorizaram, o que corresponde a uma taxa de 42,8%. Somente na Santa Casa foram 113 casos, com 67 situações aptas à doação e 34 coletas de órgão realizadas, correspondendo a 50% dos casos passíveis de doação.

O balanço anual da instituição mostra que dos órgãos captados – Capital e interior – a grande maioria – 86 – foram rins e outros 26, fígado. Houve ainda 7 corações e 1 pulmão.

O enfermeiro coordenador da OPO, Rodrigo Gomes, todo o processo de doação é desafiador e, em 2020, devido ao distanciamento social, passou a ser ainda maior em relação ao acolhimento familiar.

“Mesmo em meio a esse momento tão difícil, mudanças tiveram que ser feitas para garantir a qualidade do processo. Os abraços e apertos de mãos foram substituídos por conversas longas ou por boletins médicos. Isso gerou uma mudança muito grande na forma da família compreender a situação do seu ente querido e, mesmo assim, possibilitamos colaboração para ajudar outros pacientes”, avaliou.

Em 2021, a primeira captação de órgãos para doação foi dia 9 de janeiro, sábado. A paciente era uma jovem de 30 anos que doou coração, fígado, rins e córneas, após evoluir para morte encefálica devido ao rompimento de um aneurisma cerebral.

Profissionais de Brasília conduziriam a captação do coração e do fígado de forma assertiva para que pudessem chegar ao destino em tempo hábil de ser implantado nos pacientes. O transporte dessas equipes e órgãos contou com o apoio da FAB (Força Aérea Brasileira), por meio de parceria com o SNT (Sistema Nacional de Transplante).

A equipe do Banco de Olhos “Anjos da Visão”, captou as córneas que foram encaminhadas para análise e, posteriormente, serão utilizadas para curativos ou mesmo transplantes.

Equipe do serviço de urologia da Santa Casa realizou a extração dos rins, sendo que um foi encaminhado também para Brasília e outro permaneceu no hospital e foi implantado em um paciente de 37 anos, que fazia hemodiálise desde 2002.

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