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Cidades

Nem todo idoso anda "batendo perninha", para muitos jovens, alguns são exemplo

Há idosos que seguem o protocolo sanitário e respeitam a frase repetida à exaustão: "Fique em casa!"

Por Silvia Frias e Liniker Ribeiro | 25/03/2020 17:12
Miguel costumava sair "dia sim, dia não" e, agora, limita-se a ficar na casa do filho (Foto: Kisie Ainoã)
Miguel costumava sair "dia sim, dia não" e, agora, limita-se a ficar na casa do filho (Foto: Kisie Ainoã)

Em plena quarentena, não é incomum encontrar idosos pela rua, desrespeitando a frase que está sendo repetida à exaustão por autoridades sanitárias: “fique em casa!”. Mas há os que são exemplos e resolveram seguir o protocolo estipulado para evitar que eles, grupos de risco, sejam contaminados pelo novo coronavírus (Covid-19), um alívio para filhos e netos que se desdobram na tarefa de “cão de guarda”.

Desde ontem, a circulação de idosos em Campo Grande pode ser justificada pelo início da vacinação contra influenza, oferecida em unidades de saúde e farmácias da cidade. Mas, antes disso, não. Já se sabia que os maiores índices de mortalidade em outros países estavam entre os infectados acima de 60 anos ou com alguma comorbidade relacionada.

Valquíria explicou para mãe que ela precisa se cuidar (Foto: Kisie Ainoã)
Valquíria explicou para mãe que ela precisa se cuidar (Foto: Kisie Ainoã)

Hoje a reportagem circulou em alguns bairros da cidade em busca de idoso pelas ruas e que não estivesse em alguma atividade justificável para a “escapadinha”. A equipe percorreu ruas no Tiradentes, Jd. Tv Morena, Mário Covas até chegar ao Jardim Canguru. Pelo caminho, surpreendentemente, nenhum idoso perambulava por esses bairros.

No Jd. Canguru, a equipe encontrou Judith da Silva, 78 anos, sentada na frente de casa com a filha, Valquíria Daniel da Silva, 22 anos.

Judith mora em Bodoquena e veio visitar a filha na semana passada, antes dos decretos que determinaram o fechamento do comércio, o toque de recolher e a suspensão do transporte intermunicipal. “Eu queria mesmo era voltar para casa, mas agora não dá”, disse.

Valquíria costuma receber a visita da mãe e, desta vez, disse que não tem como sair. “Sistema publico de saúde não está fácil, na idade dela as conseqüências podem ser maiores, precisa se cuidar”. Sentar na calçada por breve período foi uma maneira de Judith dar uma respirada e não ficar trancada em casa.

Judith, 78 anos, quer voltar para casa. "Mas agora não dá", diz (Foto: Kisie Ainoã)
Judith, 78 anos, quer voltar para casa. "Mas agora não dá", diz (Foto: Kisie Ainoã)

No mesmo bairro está o aposentado Miguel Munhoz, 97 anos. Apesar da idade, o filho, o pedreiro Joarês Dias, 55 anos, disse que ele é independente. O idoso mora na casa vizinha à dele e tem o hábito de sair regularmente para passear ou comprar o leite que gosta. “Dia sim, dia não, ele sai”.

Por enquanto, a rotina foi suspensa, limitando-se a uma visita na casa do filho. Joarês conta que explicou a situação que está ocorrendo no mundo, com a infecção do vírus. “Estamos pegando no pé, alertando para ele não sair, mas graças a Deus ele é consciente”.  O pedreiro diz que Miguel recebe ligações diárias dos netos, que também cuidam dele, mesmo à distância.

O idoso não se abateu com a mudança. “Ih, meu filho, só fico em casa dormindo, no máximo, venho aqui na casa do meu filho”. Hoje, ainda teve oportunidade de sair para se vacinar, mas logo voltou para o isolamento.

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