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Cidades

População agenda, mas falta a teste da covid, o que pode mascarar dados em MS

Drive-thrus tiveram queda no número de agendamentos e, além disso, muitas pessas faltam à coleta; taxa de letalidade teve aumento

Por Silvia Frias | 01/10/2020 11:52
Exame no drive-thru do Corpo de Bombeiros em época de grande procura (Foto/Arquivo: Henrique Kawaminami)
Exame no drive-thru do Corpo de Bombeiros em época de grande procura (Foto/Arquivo: Henrique Kawaminami)

Mato Grosso do Sul passou a registrar queda nas notificações de covid-19 nas últimas semanas, índice que pode estar sendo mascarado pela redução no número de pedidos de exames e, ainda, pelo fato de muita gente estar faltando ao agendamento. O sistema de saúde ainda enfrenta outro desafio: o aumento crescente da taxa de letalidade.

A redução de notificações e aumento da taxa de letalidade foram citada durante live do governo estadual, ontem (30).

O aumento do percentual da letalidade é perceptível nos boletins divulgados pela SES (Secretaria Estadual de Saúde). A reportagem verificou os dados a cada 14 dias. No dia 5 de agosto, Mato Grosso do Sul tinha 27.678 casos, sendo 1.033 notificações a mais do que no dia anterior. No período citado, foram 432 mortes, letalidade de 1,6%.

A partir dessa data, a taxa de letalidade passou a aumentar até chegar a 1,9%, com 1.303 mortes no Estado.



Nos mesmos períodos, há decréscimo de notificações, embora os números absolutos ainda sejam altos. No 5 de agosto, foram contabilizados 1.033 diários e, posteriormente, conforme cálculo feito a cada 14 dias, há decréscimo de cerca de 100 confirmações por dia. Entre as datas de 16 e 30 de setembro houve alta de casos, mas a taxa nesses períodos está no mesmo patamar, 1,1%.

O secretário Geraldo Resende diz que tanto os números de confirmações quanto os de letalidade são extremamente preocupantes. “A taxa (letalidade) mostra que é preciso melhorar a assistência, para que as pessoas não cheguem tardiamente aos centros de saúde, às unidades hospitalares”, disse. As taxas de internações também continuam em patamar elevado, de 460 a 500 nos últimos dias.


Segundo o secretário, a implantação do Programa Rastrear é esperança de ampliar o rastreamento mais rigoroso para evitar “a evolução desfavorável da doença”, indicando tratamento e acompanhamento precoce do doente. O sistema, feito em parceira com a OPAS (Organização Pan-Americana de Saúde), monitora os pacientes e os contactantes.

Descaso – mesmo a queda de notificações ainda não é considerada fator positivo, pois pode demora no envio da coleta de exames e descaso da população.

Resende diz que Campo Grande aumentou a capacidade de processamento dos exames, com 1,8 mil diários. Porém, hoje, são avaliados cerca de 1 mil por dia, provenientes de todo o Estado. “Os municípios precisam encaminhar esses exames”, disse.

Fila no Lúcia Martins, em julho, quando serviço foi aberto: hoje, faltas diárias (Foto/Arquivo: Marcos Maluf)
Fila no Lúcia Martins, em julho, quando serviço foi aberto: hoje, faltas diárias (Foto/Arquivo: Marcos Maluf)

O secretário também criticou situação mais recente: a de que muitas pessoas agendam, mas não vão até as unidades de coleta para os exames.

“Não acredito que seja coincidência, isso começou a partir da flexibilização”, disse o coronel Marcello Frahia, do Corpo de Bombeiros, responsável pela iniciativa dos drive-thrus em Mato Grosso do Sul.

Um exemplo é o agendamento da Escola Estadual Lúcia Martins Coelho, no centro de Campo Grande, com capacidade para 450 exames diariamente. No dia 27, foram 52 faltas dos 321 agendados, mesmo número de ausências no dia seguinte. Anteontem, foram 273 agendamentos, 34 faltas.

Frahia diz que isso prejudica o atendimento à população, pois congestiona o Disk-Covid e muitas pessoas que deveriam fazer a coleta acabam não conseguindo agendar.

Geraldo Resende explica que a ampliação da capacidade de exames é justamente para o mapeamento. “Estou pedindo para não seja negado exame a nenhum cidadão”, disse, lembrando que há alguns critérios protocolares, como o contato recente com paciente diagnosticado.

 "Ainda temos muito casos, é média de 1 caso positivo para 3 testados, é preciso redobrar a vigilância; não é hora de fazer festa e deixar de usar a máscara.

O número para agendamento foi padronizado pelo governo estadual e as pessoas podem agendar pelo telefone: 0800 647 0911

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