Receita atribui suspeita de cocaína em madeira à agência antidrogas dos EUA
Laudo da PF descartou a presença do entorpecente na carga retida em Corumbá
A Receita Federal afirmou nesta quinta-feira (23) que a suspeita de contaminação por cocaína na carga de 260 toneladas de madeira retida em Corumbá, cidade sul-mato-grossense na fronteira com a Bolívia, teve origem em informações de inteligência compartilhadas pela DEA (Drug Enforcement Administration), a agência antidrogas dos Estados Unidos, e pela FELCN (Fuerza Especial de Lucha Contra el Narcotráfico) boliviana.
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
A Receita Federal informou que a suspeita de cocaína em 260 toneladas de madeira retidas em Corumbá partiu de informações da DEA e da FELCN boliviana. A perícia da PF descartou a presença da droga, mas a carga permanece retida aguardando laudos do Instituto Nacional de Criminalística. A Receita defende que a retenção seguiu protocolos, e a PF instaurou inquérito para continuar as investigações.
A manifestação foi enviada um dia após o laudo da PF (Polícia Federal) descartar a presença de cocaína em todas as amostras analisadas, contrariando a suspeita que levou à retenção da carga e à divulgação do caso como uma possível apreensão recorde de droga.
- Leia Também
- Drones do crime burlam proteção com embalagens “linguicinhas” na Máxima
- Drone é derrubado a vassourada ao tentar levar droga e celular à Máxima
O Campo Grande News já havia antecipado que testes preliminares realizados em Corumbá e os documentos emitidos pelas autoridades bolivianas já indicavam resultado negativo para substâncias entorpecentes. Agora, a conclusão foi confirmada pela perícia criminal da PF.
Segundo a Receita, os organismos internacionais repassaram informações sobre "fortes indícios de possível contaminação da mercadoria com cocaína". Com base nesses dados, equipes da Aduana Boliviana e da FELCN foram até o Porto Seco de Corumbá e solicitaram o retorno da carga ao território boliviano para fiscalização.
O órgão afirma ainda que narcotestes preliminares realizados pela própria Receita e pela FELCN apresentaram reação indicativa da possível presença de cloridrato de cocaína. Ressalta, porém, que esses exames têm caráter preliminar e não substituem a perícia laboratorial.

Ainda conforme a nota, diante das informações de inteligência e dos resultados dos testes iniciais, a Receita reteve cautelarmente a carga e acionou imediatamente a Polícia Federal para conduzir as investigações e os exames periciais.
Apesar do resultado negativo da perícia realizada pela PF em Corumbá, a Receita informou que a apuração ainda não foi encerrada. Segundo o órgão, permanecem pendentes laudos do INC (Instituto Nacional de Criminalística), e a Polícia Federal instaurou inquérito para dar continuidade às diligências, com ciência do MPF (Ministério Público Federal) e da própria Receita.
Por isso, a carga continuará retida até a conclusão das análises e dos procedimentos administrativos. A Receita também informou que eventual pedido de ressarcimento por custos de armazenagem poderá ser apresentado pelo proprietário da mercadoria, mas dependerá de análise individual. O reconhecimento do direito à indenização não é automático.
Na nota, a Receita sustenta que a retenção foi preventiva e foi adotada com base nas informações de inteligência fornecidas pelos órgãos internacionais e nos resultados dos testes preliminares, reforçando que a ação seguiu todos os protocolos de controle e segurança.
A investigação teve início após a Receita Federal anunciar, em 21 de junho, a apreensão de madeira em Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, sob suspeita de estar impregnada com cocaína líquida. A retenção ocorreu durante a Operação Timber Shield, que as autoridades brasileiras, americanas e bolivianas conduziram para apurar uma possível nova modalidade de tráfico internacional.


