Sem festa por causa do clima, Ponte Bioceânica conclui união oficialmente
Mesmo com cerimônia adiada, autoridades acompanharam a interligação da obra que deve ser concluída em setembro
Apesar do cancelamento da cerimônia oficial por causa das condições climáticas, o encontro definitivo entre os lados brasileiro e paraguaio da Ponte Bioceânica foi acompanhado por autoridades e representantes dos dois países na manhã desta quinta-feira (23), em Porto Murtinho. A visita reuniu prefeitos da região, empresários, representantes diplomáticos e técnicos responsáveis pelas obras para acompanhar a concretização do chamado "beijo da ponte", etapa que simboliza a ligação física entre Brasil e Paraguai.
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A Ponte Bioceânica, que ligará Porto Murtinho (MS) ao Paraguai, teve seu "beijo" concretizado nesta quinta-feira (23), apesar do cancelamento da cerimônia oficial por mau tempo. Com 90% das obras concluídas, a estrutura de 1.294 metros deve ser finalizada em setembro, segundo o vice-ministro paraguaio Hugo Arce Palma. O corredor logístico conectará o Brasil aos portos do Pacífico, passando por Paraguai, Argentina e Chile.
O evento oficial foi suspenso porque o mau tempo impediu o pouso das aeronaves que transportariam as autoridades e comprometeu o acesso ao local. Mesmo assim, a agenda técnica foi mantida.
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Entre os presentes estava o prefeito de Porto Murtinho, Nelson Cintra (PSDB), que acompanha o empreendimento desde o início da implantação. Para ele, a conclusão da união da estrutura representa uma mudança histórica para a cidade, que passa a ocupar posição estratégica no corredor de integração sul-americano.
"Há muitos anos acompanho esse projeto, desde a limpeza das áreas. A importância é integrar o centro da América do Sul. É muito importante para o Brasil, para o Paraguai e também para Chile e Argentina. E, para nós, que vivíamos esquecidos, agora somos o centro das atenções", afirmou.
Cintra lamentou a ausência do presidente do Paraguai, Santiago Peña, que não conseguiu participar da agenda por causa das condições meteorológicas.
"Infelizmente o presidente Santiago Peña não pôde vir. O tempo está fechado há três dias. Mas o embaixador está aqui, assim como autoridades da Bolívia, do Paraguai e do Chile. Foi um momento muito importante, que consolidou o beijo da ponte. Agora faltam detalhes e acabamentos, mas Brasil e Paraguai já estão ligados", disse.
Segundo o vice-ministro de Obras Públicas do Paraguai, o engenheiro civil Hugo Agustín Arce Palma, a construção da ponte entrou na reta final e deverá estar totalmente concluída em setembro.
"Viemos verificar o avanço da ponte, que já está praticamente na etapa de conclusão. Estamos falando de quase 90% da obra executada. A previsão é finalizar os trabalhos no mês de setembro", afirmou.
De acordo com o vice-ministro, paralelamente à ponte também avança a construção da ligação viária do lado paraguaio. O contrato prevê aproximadamente 3,8 quilômetros de pavimentação para conectar a estrutura ao corredor da Rota Bioceânica.
"Também viemos acompanhar esse outro contrato, que está em plena execução e fará a conexão da ponte com a rota", explicou.

Corredor ainda depende de novas obras - Embora a ponte esteja próxima da conclusão, o corredor bioceânico ainda exige investimentos em outros trechos para garantir a ligação completa entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile.
Segundo Hugo Arce Palma, um dos principais desafios é a continuidade das obras ao longo dos cerca de 570 quilômetros do corredor em território paraguaio.
"Há muitos desafios pendentes. Estamos trabalhando em um corredor de quase 570 quilômetros. Além desta ponte, teremos outra importante ligação no futuro, em Pozo Hondo, que unirá o Paraguai à Argentina."
O governo paraguaio também negocia um financiamento com o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) para executar um novo trecho de aproximadamente 103 quilômetros.
"Estamos em tratativas para uma operação de cerca de US$ 200 milhões, que permitirá construir mais 103 quilômetros e completar o corredor entre este ponto e Pozo Hondo", afirmou.
O vice-ministro destacou ainda que há confiança no avanço simultâneo das obras dos dois lados da fronteira.
"Temos grande otimismo para quando esta obra estiver concluída e entrar em operação. Vemos que o Brasil também está avançando em suas obras, enquanto fazemos o mesmo no Paraguai. Do lado brasileiro são cerca de 13 quilômetros de acessos. A ideia é unir toda essa infraestrutura."
Com 1.294 metros de extensão, a Ponte Bioceânica ligará Porto Murtinho (MS) a Carmelo Peralta, no Paraguai. A estrutura é considerada a principal obra da Rota Bioceânica, corredor logístico que conectará o Centro-Oeste brasileiro aos portos do Oceano Pacífico, passando por Paraguai, Argentina e Chile. A expectativa é reduzir o tempo e o custo do transporte de cargas destinadas aos mercados internacionais e transformar Porto Murtinho em um dos principais pontos logísticos da América do Sul.




