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Tenente-coronel alvo de operação contra golpistas já foi processado em MS

Tenente-coronel Sergio Ricardo Cavaliére de Medeiros respondeu ação por débito de IPTU em 2022

Por Anahi Zurutuza e Viviane Oliveira | 08/02/2024 12:34
Movimentação em frente ao CMO no dia 8 de janeiro de 2023 (Foto: Paulo Francis/Arquivo)
Movimentação em frente ao CMO no dia 8 de janeiro de 2023 (Foto: Paulo Francis/Arquivo)

Alvo de mandado de busca e apreensão da Operação Tempus Veritatis, deflagrada pela PF (Polícia Federal), na manhã desta quinta-feira (8), contra grupo que espalhou informações falsas sobre fraude nas Eleições Presidenciais de 2022, o tenente-coronel do Exército, Sérgio Ricardo Cavaliére de Medeiros tem ligações com Mato Grosso do Sul. No ano do pleito, o militar foi processado pela Prefeitura de Campo Grande por dever IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) de imóvel na Capital.

A casa simples fica no Bairro Nova Campo Grande, a cerca de 10 minutos do CMO (Comando Militar do Oeste), o principal "QG" do Exército na cidade. Morador que atendeu a reportagem na residência disse não conhecer o militar.

A administração municipal propôs a ação para cobrar dívida de R$ 2.513,82 de Cavaliére em janeiro de 2022. Em agosto daquele ano, a Justiça tentou notificá-lo no endereço do Nova Campo Grande, mas não o encontrou. A pessoa que recebeu os Correios na residência, nos dias 11 e 15 do mês oito de 2022, informou que Sérgio Ricardo havia se mudado do local, conforme registrado em AR (Aviso de Recebimento).

Em dezembro, o juiz Wagner Mansur Saad suspendeu a cobrança porque descobriu que o valor havia sido quitado. "Em consulta ao site da Prefeitura Municipal, verificou-se que os créditos executados não mais se encontram na situação de pendentes de pagamento", diz a decisão.

AR com destino a Sergio Ricardo informa que ele se mudou de endereço no Nova Campo Grande (Foto: Reprodução do autos de processo)
AR com destino a Sergio Ricardo informa que ele se mudou de endereço no Nova Campo Grande (Foto: Reprodução do autos de processo)

Não há confirmação se Sérgio Ricardo Cavaliére atue em Mato Grosso do Sul. No Portal da Transparência do Governo Federal, ele aparece como militar da ativa. Com 27 anos de Exército, ele tem salário de R$ 22.963,50 (bruto).

A investigação da PF dividiu os alvos em núcleos e conforme a apuração, o tenente-coronel fez parte do grupo empenhado em espalhar desinformação e ataques ao sistema eleitoral. Ele atuou, portanto, na “produção, divulgação e amplificação de notícias falsas e de 'estudos' quando à falta de lisura das eleições, além de estimular seguidores a permanecerem na frente de quartéis e de instalações das Forças Armadas, no intuito de criar o ambiente propício para a execução de um golpe de Estado”.

Ainda segundo as investigações, o tenente-coronel também fazia parte do Núcleo Operacional de Apoio às Ações Golpistas, “que atuava em reuniões de planejamento e execução de medidas para manter as manifestações em frente aos quartéis, incluindo a mobilização, logística e financiamento de militares das Forças Especiais em Brasília”.

Conforme apuração do Uol, o comandante do Exército, general Tomás Paiva, já avisou internamente que os quatro militares da ativa que são alvos da operação serão afastados de suas funções. O Campo Grande News aguarda posicionamento do CMO.

A reportagem não conseguiu encontrar meios de contato com Sérgio Ricardo Cavaliére de Medeiros, mas deixa o espaço aberto para futura manifestação. Por decisão do STJ, ele também está proibido de sair do Brasil.

Dados sobre o militar disponíveis no Portal da Transparência (Foto: Reprodução)
Dados sobre o militar disponíveis no Portal da Transparência (Foto: Reprodução)

Tempus Veritatis - A ação policial cumpriu ordens judiciais em Mato Grosso do Sul e em outros nove estados. No total, são cumpridos 33 mandados de busca e apreensão, 4 de prisão e 48 medidas cautelares.

Segundo a PF, é apurada uma “tentativa de golpe de Estado e abolição do Estado Democrático de Direito, para obter vantagem de natureza política com a manutenção do então presidente da República no poder”.

Nesta fase, as apurações apontam que o grupo se dividiu em várias frentes, formando uma verdade “milícia digital”, com objetivo de legitimar uma intervenção militar.

Além dos militares de alta patente, o próprio ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados foram alvos da operação nesta quinta-feira (8), além do general Augusto Heleno, ex-ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Braga Netto, e do ex-ministro da Justiça, Anderson Torres.

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