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Três cidades de MS levam nota baixa no ensino da Medicina

Apenas Campo Grande atende todos os critérios considerados ideais para o funcionamento de uma faculdade médica

Por Adriano Fernandes | 18/06/2021 21:37

Dos quatro municípios sul mato-grossenses que sediam cursos de Medicina em Mato Grosso do Sul, apenas Campo Grande atende todos os critérios considerados ideais para o funcionamento de uma faculdade médica. Três Lagoas, por exemplo, possui 1,88 leito por aluno, quando o ideal seria pelo menos cinco leitos para cada aluno.

Situação parecida ocorre em Corumbá, onde foi aberta a mais recente faculdade de Medicina no Mato Grosso do Sul, que oferece 2,94 leitos públicos por aluno.  Já Dourados, a segunda maior cidade do Estado, tem média de 4,86 alunos por ala.

Só Campo Grande oferece os critérios ideais de ensino com média de 5,83 por leito, conforme o estudo Radiografia das Escolas Médicas, divulgado pelo CFM (Conselho Federal de Medicina) e que conclui que 75% das faculdades do Mato Grosso do Sul apresentam algum problema para funcionar de acordo com os três parâmetros considerados ideais.

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A pesquisa avaliou a existência de hospital de ensino, quantidade de leitos e alunos por equipes de ESF (Estratégia de Saúde da Família) nos estados. Para o CFM, a falta de locais de prática é resultado da abertura desenfreada de escolas médicas. A falta de infraestrutura e de campos de estágio prejudica a formação dos novos médicos e, a longo prazo, pode comprometer a saúde da população brasileira.

Mato Grosso do Sul reúne hoje 1% (6) das escolas de medicina do País, que oferecem cerca de 438 vagas em cursos de medicina em quatro municípios. São quatro escolas públicas e duas privadas, que cobram, em média, R$ 9 mil de mensalidades.

Para o coordenador da Comissão de Ensino Médico do CFM, conselheiro federal Júlio Braga, a falta de campos de estágio faz com que o aluno comece a trabalhar sem ter treinado as habilidades necessárias a um bom médico. “Durante sua formação, o estudante deve ter contato com o maior número de pacientes possível. Só assim, ele aprende a colher histórias, a fazer uma boa anamnese e diagnósticos certeiros. Com a falta de campos de estágio, ele chega ao mercado sem ter desenvolvido essas habilidades”, comenta o diretor de Comunicação do CFM, Hideraldo Cabeça, também professor e coordenador da Comissão de Residência Médica do Pará.

Leitos de internação – Na avaliação do CFM, os critérios mínimos para que o processo de ensino-aprendizagem ocorra adequadamente são: oferta de cinco leitos públicos de internação hospitalar para cada aluno no município sede de curso; acompanhamento de cada equipe da Estratégia Saúde da Família (ESF) por no máximo três alunos de graduação; e presença de hospital com mais de cem leitos exclusivos para o curso.

Além dos leitos hospitalares, a presença de equipes de saúde da família é outro importante ambiente de prática para os estudantes de medicina.  Os municípios sul mato-grossenses que sediam as escolas médicas, apresentam o parâmetro ideal de alunos por equipe de ESF. São 339 equipes de saúde disponíveis para os estudantes de medicina.

O levantamento do CFM também identificou a carência de hospitais de ensino em todo o País. No estado do Mato Grosso do Sul, apenas as escolas da Ccapital são beneficiadas com hospitais apropriados para a docência. Numa situação ideal, as faculdades de medicina teriam seus hospitais e ambulatórios para que os estudantes do internato, no 5º e 6º anos, praticassem o estágio.


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