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Campo Grande, Domingo, 17 de Dezembro de 2017

04/03/2010 18:55

Aos 33, recomeço: filho recebe primeiras noticias da mãe

Redação

Vandir Domingos Euzébio tem 33 anos, ao longo de sua vida, mantinha apenas um fio de esperança de um dia encontrar a mãe. Ele chega de bicicleta, de forma acanhada, à DEPAC (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e Adolescente). Enquanto ouve a notícia de como sua mãe lutou para reencontrar os cinco filhos perdidos, se emociona e relembra um passado de tristezas, lutas e conquistas.

Hoje, pai de duas filhas, Vandir foi retirado da guarda da mãe quando tinha um ano. Ele e seus quatro irmãos mais velhos foram levados pelo pai, Aparecido Domingos Euzébio, depois que a mãe decidira se separar do marido violento.

"Eu sabia que meu pai era um homem bravo. Meus irmãos achavam que ele poderia ter matado ela. Cheguei a perder as esperanças, mas sempre pensava nela", recorda Vandir.

Aparecido arrastou os quatro filhos mais velhos: Adilson, então com cinco anos, Vanderlei, com quatro, José Roberto, com três, e Luiz Aurélio, com dois. Vandir, com um ano na época, foi levado pelo pai dois dias depois. Foram morar em Miranda, onde o pai faleceu após seis anos em decorrência de um acidente de trabalho.

Juntos, os irmãos foram levados para a casa dos avós paternos, em Bodoquena. "Eles não davam conta de nos criar. A gente vivia solto pelo mato, dormia nas fazendas, tomava banho no rio. Até que um dia eles decidiram nos entregar", conta Vandir.

Dos quatro irmãos, ele se lembra apenas de Vanderlei, Adilson e José Roberto. "Fui com Vanderlei para um orfanato que o prefeito mantinha. Os outros foram para casas de famílias. Só do Luizinho eu não lembro. Meus irmãos dizem que eu cheguei a conhecer ele, mas eu não lembro. Ele deve ter ido embora com uma família".

Após passar pelo orfanato, Vandir retorna para a casa dos avós, mas novamente vive privações e o desprezo. "Eu sofri demais. Meus irmãos também. Fomos largados, vagamos por esse mundo. Eu tinha só duas peças de roupas, um chinelo com os pés trocados. Fui trabalhar", explica, assumindo com humildade que, apesar de ter cursado apenas o 3ª série do ensino fundamental, sabe escrever, ler e fazer contas bem.

A vida deu caminhos diferentes aos irmãos. O contato era escasso. Hoje três deles vivem em Campinas, interior de São Paulo. Em suas andanças pelo Estado, chegou a trabalhar durante três anos em Albuquerque, onde hoje mora sua mãe. "Fiquei lá, fui piloteiro, ajudei a construir um hotel e nunca poderia imaginar que ela estava tão perto", revela.

Uma nova vida

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